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Vendedeiras em Cabinda queixam-se da Operação Resgate


"Pago a minha taxa para estar aqui e agora me retiram", denuncia uma zungueira

A Operação Resgate chegou à província angolana deCabinda e, de acordo com as vendeiras ambulantes, a vida ficou muito difícil.

Dezenas de vendedeiras de um quintal no bairro Gika queixam-se da polícia que, segundo elas, destruiu os produtos, deixando-as sem “o sustento para a família”.

Elas dizem que pagam uma taxa para vender no local, mas agora a polícia as impede de continuar lá.

“Eu vendo aqui dentro do quintal, tenho meu cartão, pago uma taxa, a polícia chegou aqui e destruiu tudo, as coisas que vendo roupas, chinelos e coisinhas pequenas, tudo foi destruído pela polícia”, lamenta uma vendedeira que diz não ter outra forma de ganhar a vida.

“O meu marido está há 14 anos desempregado, tenho quatro filhos, vou aonde para sustentar os meus filhos, aqui estamos dentro de um quintal não impedimos o passeio, não impedimos nada, não sabemos mais o que fazer", completa.

O activista de direitos humanos Alexandre Fernandes diz ter tentado intervir para evitar que a situação chegasse ao extremo, mas que foi agredido pelo polícia.

"Isso é desumano porque estas mamãs tentam apenas ganhar o pão, mas agora poderão ir para prostituição, as crianças para a bandidagem, entanto deviam arranjar as condições enquadrar as pessoas, defende Fernandes, acrescentando que tentou pedir e calma e“foi o suficiente para me empurrarem, me ofenderem por ser mulato, que não sou de Cabinda, sou cabo-verdiano, é complicado".

Recorde-se que, recentemente, o deputado pelo partido no poder Mário Pinto de Andrade, numa conferência, sublinhou que, em muitos casos, não estão a colaborar com a Operação Resgate.

"Há quanto tempo pediu-se às pessoas para irem tratar um cartão de contribuinte, para irem se legalizar e o seu negócio, ninguém ligou, há quanto tempo se fala da Operação Resgate, mas ninguém ligou, agora que a operação saiu à rua estão a gritar, o próprio ministro do Interior foi
muito pedagogo ao dizer que que ninguém ia fazer mal às pessoas e que havia tempo de se legalizarem, mas o Estado não pode perder a autoridade, a anarquia tem que ser combatida".

A VOA tentou falar com as autoridades policiais e administrativas de Cabinda mas sem sucesso.

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