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Unicef manifesta preocupação com uso de crianças-soldados por terroristas em Cabo Delgado


Campo de deslocados do centro agrário de Napala para deslocados da insurgência em Cabo Delgado. Moçambique

Aquela agência da ONU e o Instituto Dellaire preparam soldados moçambicanos para lidar com crianças-soldados

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reiterou na terça-feira, 16, a sua preocupação com o uso de crianças-soldados pelo grupo jihadista conhecido localmente por al-Shaabab no norte de Moçambique, disse a especialista Carla Mussa.

Mussa falava em Chimoio, capital da província de Manica, no lançamento do programa “Prevenir utilização de crianças-soldados em Moçambique”, que pretende especializar membros do exército moçambicano a lidar com o crescente número de crianças-soldados em campos de batalhas.

“Sabemos que há crianças que são instrumentalizadas, e usadas no campo de batalha (...) e participam na linha da frente”, em Cabo Delgado, afirmou Carla Mussa, quem defendeu a necessidade de se dotar de ferramentas os membros do exército moçambicano para lidar com o fenómeno.

Ainda segundo o Unicef, cerca de 350 mil crianças foram afectadas pela violência armada em Cabo Delgado.

Formação do exército

Neste contexto, o Unicef e o Instituto Dellaire estão a formar 100 oficiais e sargentos de várias especialidades das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) em direito humanitário e da criança envolvida em conflitos armados, em Cabo Delgado, no norte, e em Manica e Sofala, centro de Moçambique.

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“A situação que está sendo vivida no centro e norte do país requer que as FADM estejam preparadas para a situação em que enfrentam crianças, não só como beligerantes”, defendeu Carla Mussa, e acrescentou que as crianças entram para estes conflitos como vítimas.

A especialista do Unicef em Moçambique disse que várias crianças são instrumentalizadas e usadas nos seus diferentes papéis, “no campo de batalha, como informadores, como carregadores de materiais”, sobretudo no conflito armado envolvendo terroristas em Cabo Delgado.

Carla Mussa explicou que a situação em que as forças de defesa são confrontadas com uma criança armada, tem que ter ferramentas necessárias para medir, mensurar aquilo que são as ameaças e usar proporcionalmente as medidas de prevenção e mitigação necessárias”, antes de referir as crianças, de forma segura, para as autoridades de tutela.

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“A partir do momento em que conseguimos olhar uma criança como vítima, todo o tratamento dispensado a esta criança vai ser diferente”, para sua recuperação e integração na sociedade, acrescentou.

O coronel Lucas Impide, Comandante do quinto batalhão de infantaria de Chimoio, reconheceu que as diferentes especialidades do exército moçambicano no Teatro Operacional Norte enfrentam dificuldades em lidar com crianças soldados em campos de batalha, considerando por isso crucial o treinamento para o contexto do conflito.

“As guerras atuais, principalmente as de terrorismo, muitas das vezes usam crianças como militar. As crianças são instrumentalizadas, e às vezes quando nos deparamos com as crianças no campo de batalha, temos tido muita dificuldade de agir ou de interagir” com estas, afirmou Lucas Impide.

Em Outubro o Unicef anunciou o resgate, pelo exército moçambicano, de várias crianças raptadas e recrutadas à força para servir as fileiras do grupo jihadista localmente conhecido por al-Shaabab no norte de Moçambique.

Preparar paz futura

Para a representante do Instituto Dellaire, Kalina McCaul, o surgimento de ciclos de conflitos requer a priorização da proteção das crianças para a criação de uma paz futura duradoura, sendo necessário para isso que o exército seja dotado de instrumentos para lidar com o fenómeno.

“A utilização das crianças nos conflitos impacta severamente e de forma prolongada os conflitos, tornando-se num problema geracional”, observou Kalina McCaul, daí que o exército deve ter uma “visão para tornar o recrutamento e utilização das crianças impensável”.

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