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Ucrânia: Analistas angolanos dizem que abstenção de Luanda na ONU é voto favorável à Rússia


Resultado da votação da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas contra a invasão da Ucrânia pela Rússia, Nova Iorque, 2 Março 2022

Mpla diz queé respeito por todos. Assembleia Geral da ONU aprovou resolução a condenar a invasão russa com 141 votos a favor, 35 abstenções e 5 contra

Analistas angolanos consideram que a abstenção de Angola na votação da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia configura, na prática, um voto favorável à acção de Moscovo.

Ucrânia: Analistas angolanos comentam abstenção na ONU – 2:27
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Deputado do MPLA diz que a posição do Governo reflecte "vontade soberana do Estado angolano".

Ao todo 141 países votaram a favor, 35 se abstiveram e apenas cinco votaram contra.

Entre as abstenções destaca-se a presença de Angola e Moçambique, dois países africanos de língua oficial portuguesa.

O pastor evangélico Elias Isaac diz que, com esta atitude, o Governo de Angola colocou os interesses políticos e económicos “acima do princípio da defesa da vida humana”.

“É muita pena” , lamentou aquele analista político, para quem “a abstenção em termos éticos é a aprovação e o Governo aprovou o que a Rússia está a fazer na Ucrânia”.

“Angola não ficou bem na fotografia”, considera, por seu lado, o jurista e analista político Vicente Pongolola, acrescentando que “não condenar a Rússia é estar alinhado com a Rússia”.

O investigador Francisco Tunga Alberto acrescenta que o Governo não devia tomar qualquer posição política sobre a guerra na Ucrânia sem ouvir o Parlamento e as várias organizações da sociedade civil angolana, "particularmente as dos direitos humanos”.

“Haverá consequências no futuro”, adverte.

Entretanto, o deputado João Pinto, do MPLA, considera que a decisão do Governo “representa vontade soberana do Estado angolano”.

Para aquele dirigente do partido no poder, a posição não pode ser entendida como um apoio à agressão da Russia à Ucrânia mas “reflecte uma diplomacia que visa atender o respeito de todos”.

África do Sul, Argélia, Burundi, Congo, Guiné Equatorial, Madagáscar, Mali, Namíbia, República Centro Africana, Senegal, Sudão do Sul Uganda, Tanzânia, Sudão e Zimbabwe são outros países africanos que também se abstiveram na condenação à Rússia.

Os votos contra pertencem à Federação Russa, Eritreia, Coreia do Norte, Bielorrússia e Síria.

Entre os lusófonos, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil e Portugal votaram a favor.

A VOA continua a aguardar um posicionamento do Governo de Angola.

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