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Trump deixa Washington com Partido Republicano profundamente dividido


A sombra de Trump vai continuar a pairar sobre o Partido Republicano

Partido à beira de guerra interna entre apoiantes de Trump e aqueles que o criticam pela derrota nas eleições presidenciais

Quando o Presidente-eleito Joe Biden entrar na Casa Branca na Quarta-feira vai ter a sorte do seu partido controlar ambas as câmaras do Congresso.

Trump deixa Washington com Partido Republicano profundamente dividido - 5:17
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Mas Biden vai ter também outro factor a seu favor: O Partido Republicano encontra-se agora profundamente dividido.

O comentarista do Washington Post Dan Balz disse que o Partido Republicano está agora dividido claramente em dois: O partido de Trump e o Partido de Nunca Trump

Com efeito, os últimos meses da governação de Donald Trump foram marcados por um aprofundar da divisão que se iniciou logo que ele venceu as eleições em 2016 quando muitos Republicanos se recusaram a aceitar Donald Trump que foi visto como um demagogo que não representava os verdadeiros ideais dos Republicanos.

Houve outros especialmente na legislatura que apoiaram Trump não porque concordassem com ele em toda a sua política ou declarações mas por mera conveniência política. Trump iria encetar algumas iniciativas que podiam contar com o apoio da esmagadora maioria dos Republicanos e em alguns casos estes puderam influenciar o presidente.

Foi uma aliança que produziu resultados em política fiscal, nomeação de juízes e redução de regulamentações ao negócio e comércio e também em política externa.

Aliança saiu cara

Mas foi algo que saiu caro: Primeiro a perda do controlo da Câmara dos Representantes, depois a perda do Senado e da Presidência algo que muitos Republicanos culpam a retórica de Trump que terá servido para alienar o eleitorado independente.

Com os resultados das eleições de Novembro essas relações começaram de imediato a demonstrar a sua fragilidade quando muitos dirigentes Republicanos a nível estadual e também nas duas câmaras legislativas do Congresso recusaram-se a aceitar as declarações de Trump de fraude generalizada.

Em alguns estados, como na Georgia, foram dirigentes Republicanos que confirmaram a vitória de Biden recusando-se a aceitar as declarações de Trump e afirmando publicamente terem investigado as alegações nos seus estados e nada encontrado para confirmar a alegada fraude.

Mais tarde essas divisões estenderam-se para dentro do Congresso culminando com a figura mais forte do Partido Republicano, o Senador Mitch McConnel a reconhecer o resultado das eleições.

Depois da invasão do Congresso dez Republicanos votaram na Câmara dos Representantes para impugnar Trump e agora dirigentes Republicanos reconhecem que o partido está a caminhar para um confronto cujas consequências são de difícil previsão.

A congressista Liz Chenney, filha do antigo vice-presidente Dick Chenney, disse ao votar pela impugnação de Trump que nunca na história americana “houve uma traição como a cometida por Trump”. Os apoiantes de Trump acusam todos esses congressistas de serem traidores e houve mesmo notícias que alguns deles foram vaiados em público por apoiantes do presidente.

Apoiantes de Trump são maioria do eleitorado Republicano

Analistas fazem notar que de acordo com as estatísticas apenas cerca de 30% do eleitorado ( portanto não todos os Republicanos) continuam a apoiar Trump.

Mas esses estudos indicam que esses 30% do eleitorado são 70% do eleitorado Republicano e a maioria deste eleitorado não aceita por exemplo a impugnação do presidente.

Se Trump conseguir manter a sua visibilidade e iniciativa política dentro desse eleitorado é de prever uma guerra entre os Republicanos quando começarem a surgir as eleições primárias a todos os níveis.

Rich Lowrie disse que Trump “vai ser a principal figura no partido durante muito tempo” porque tem mais energia, tem mais apoio a nível de base”.

“McConnel tem mais influência institucional m Washington”, disse Lowrie para quem “o que presenciamos nas últimas duas semanas foram os tiros do começo do que será uma guerra civil entre os Republicanos que se vai dar desde as primárias para o Senado até ao nível mais baixo dos município”.

“Os eleitores de Trump estão nas margens. Alguns estão um pouco desiludidos mas não o abandonaram”, disse Lowrie que falava à cadeia de televisão NBC.

Nos Estados Unidos eleições legislativas são realizadas de dois em dois anos e portanto este confronto poderá iniciar-se em breve sendo de prever que Trump faça campanha contra aqueles que não o apoiaram.

Na Quarta-feira os Republicanos iniciam assim uma nova era totalmente fora do poder a nível federal. A desvantagem que têm na Câmara dos Representantes e no Senado é mínima e dá-lhes a oportunidade de reganharem esse controlo em 2022 mas para isso precisam de se unir. Isso para já apresenta-se difícil.

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