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Trabalhadores da Rádio 2000, na Huíla, descrevem "cenário insustentável" sem salários há 16 meses


Radio 2000, Lubango, Angola
Radio 2000, Lubango, Angola

Diretora da estação admite que se a situação se mantiver, terá de fechar as portas.

Os trabalhadores da Rádio 2000 na cidade do Lubango, província angolana da Huíla, continuam a enfrentar o drama de não receberem os seus salários há 16 meses, enquanto a direcção da empresa diz que, perante um quadro insustentável, não descarta a possibilidade de declarar falência caso não surjam os apoios.

Apesar de emitir normalmente com todos os seus espaços na grelha de programação, as dívidas para com os funcionários acumulam-se todos os meses.

Trabalhadores da Rádio 2000, na Huíla, descrevem "cenário insustentável" sem salários há 16 meses
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Entre os visados estão cinco funcionários com tempo de serviço há muito vencido, ávidos de gozar a merecida reforma, mas que são obrigados a permanecer no trabalho até que a empresa regularize as contribuições da segurança social.

Virgílio Laje é um deles e fala nm cenário difícil.

“Se nos dessem a reforma digo que ia para casa, mas neste momento não nos deram, temos de estar aqui a aguardar até a nossa reforma. Sem ela não podemos fazer nada”, lamenta Laje.

Rita Dias, que tem quase 20 anos de casa, recohece que a situação é "mesmo insustentável".

"Nós estamos aqui todos os dias, trabalhamos de sol a sol, de chuva a chuva, damos o nosso máximo para que a estação continue de pé para que não falta a emissão, então nós apelamos a entidade máxima que olhe por nós”, pede Dias.

Perante os gritos de socorro dos funcionários, a diretora da Rádio 2000, Maria Rosa Gonçalves, descreve um quadro financeiro sombrio que vem desde 2020 com o áuge da pandemia da Covid-19, agravado com o atual momento económico do país.

A saída de igrejas que pagavam pelos espaços ocupados foi fatal.

“A nossa sustentabilidade provinha das igrejas, algumas igrejas tinham aqui programas e iam pagando, agora os fiéis estão pobres e não pagam. Saíram cerca de seis igrejas e isso foi um desconforto tão grande. Os empresários também estão na sua maioria com as suas empresas descapitalizadas então não se põem a fazer publicidade para pagar”, reconhece Gonçalves em entrevista à Voz da América.

A diretora revela ter recebido garantias durante uma recente visita do presidente do Conselho de Administração do grupo empresarial Gefi, principal acionista da rádio, ligado ao partido no poder, com vista a acudir inicialmente a situação salarial.

Maria Rosa Gonçalves sugere uma solução urgente, lembra que o problema é tão grave e que tudo tem limites.

“Eu acho que ainda temos coragem de aguentar mais um bocadinho quem já está aqui há um ano e tal nessa situação pode aguentar mais dois ou três meses, acho que é possível, mas se não, não teremos hipóteses. Tudo tem limites. Ás vezes tenho ideias boas para fazer isto ou aquilo, mas a falta de verba, o fato de não estarmos com a situação salarial resolvida, eu não tenho moral de exigir mais”, conclui a gestora.

O pendente dos reformados que também aguarda por solução já vem da gestão anterior, lembra Rosa Gonçalves.

Fundada a 17 de Setembro de 1992 após a abertura de Angola ao multipartidarismo, a Rádio 2000 já foi parceira da Voz América.

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