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"Tirem o vosso joelho do nosso pescoço", afirma Al Sharpton em cerimónia fúnebre de George Floyd


Presidente do município de Mineápolis, Jacob Frey, ajoelha-se ante o caixão de George Floyd

Centenas de pessoas homenagearam numa cerimónia religiosa nesta quinta-feira, 4, George Floyd, o afro-africano cuja morte sob custódia da polícia em Mineápolis levou a uma onda de protestos nos Estados Unidos, contra o racismo e a brutalidade policial.

Philonise Floyd, irmão de Floyd, disse na cerimónia na Universidade Central North, em Minnesota, que sua família era pobre e que George lavava as meias e roupas da família e as secava no forno, pois eles não tinham secadora.

“É louco, todas essas pessoas vieram ver meu irmão, é incrível como ele tocou tantos corações”, disse o irmão, que tinha uma broche no fato com uma imagem do irmão com as palavras “Eu não consigo respirar” na lapela.

O reverendo Al Sharpton, ativista pelos direitos dos negros e comentador de televisão, dirigiu o primeiro dos seis serviços fúnebres programados para os próximos dias.

Hoje, estiveram também presentes o reverendo Jesse Jackson, a senadora Amy Klobuchar, do Minnesota, vários membros do Congresso e celebridades, como Ludacris, Kevin Hart, Tiffany Haddish e T.I.

A certa altura, a audiência ficou em silêncio por oito minutos e 46 segundos, período em que o polícia branco Derek Chauvin se ajoelhou sobre o pescoço de Floyd até provocar a morte dele.

“A história de George Floyd tem sido a história dos negros. Porque desde 401 anos atrás, a razão pela qual nunca poderíamos ser quem queríamos e sonhamos é que mantiveram o joelho no nosso pescoço ”, disse Sharpton no seu elogio fúnebre, disendo ser a "hora de nos levantarmos em nome de George e dizer: 'Tire seu joelho do pescoço!'"

Ele disse que é hora do sistema de justiça parar de "dar desculpas e promessas vazias".

As cerimónias fúnebres continuam agora no local de nascimento de Floyd em Raeford, Carolina do Norte, e em Houston, onde ele cresceu.

Também hoje, senadores democratas homenageram Floyd com um silêncio de 8 minutos e 46 segundos no Capitólio.

A morte de George Floyd despoletou centenas de manifestações e protestos, em todo país.

Em muitas cidades, os protestos tornaram-se muito violentos, tendo o Presidente Donald Trump ameaçado enviar o exército para as ruas, o que lhe provocou muitas críticas até por parte de aliados republicanos e de altos militares na reserva.

Até agora mais de 10 mil pessoas foram detidas, mas nas últimas duas noites os protestos têm sido pacíficos.

Os quatro polícias que participaram na operação de prisão de Floyd, que teria tentado comprar numa loja com uma nota alegadamente falsa, foram presos e acusados de homicidio de segundo grau, ou seja com intenção de matar, mas não premeditado.

Enquanto o principal acusado, Derek Chauvin, deve ser ouvido no próximo dia oito, os demais três policiais apareceram hoje num tribunal, que lhes aplicou uma fiança de um milhão de dólares.

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