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"Tínhamos a economia sob controlo", afirma José Eduardo dos Santos


Antigo Presidente angolano garante ter deixado OGE pronto mas João Lourenço optou por outro

O antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, veio a público nesta quarta-feira, 21, “prestar alguns esclarecimentos sobre como conduzimos a coisa pública durante o meu mandato”.

Além de refutar a acusação do Presidente João Lourenço que em entrevista ao jornal português Expresso disse ter encontrado os cofres vazios ou quase a serem esvaziados, Santos assegurou ter deixado pronto o Orçamento Geral do Estado (OGE) de 2018 e o país “relativamente estável”.

O antigo Presidente lembrou que a preparação do OGE começa normalmente em Junho ou Julho e, por isso, em Setembro de 2017 deixou a proposta para 2018.

“A nova equipa não quis seguir a proposta que deixámos e atrasou assim a aprovação do Orçamento de 2018 até ao mês de Março, o que normalmente era feito no mês de Janeiro”, revelou Santos.

Em jeito de balanço de como deixou as contas do Estado, ele afirmou que “apesar da crise provocada pela crise da redução do preço do petróleo bruto que chegou aos 38 dólares por barril nós tínhamos a economia sob controlo”.

Na declaração que fez a alguns jornalistas, sem direito a perguntas, José Eduardo dos Santos repassou o que para ele foi como deixou a economia.

“Não desvalorizámos a moeda, pagámos regularmente os salários dos funcionários públicos, incluindo o 13º. mês, mantivemos o poder de compra dos salários fazendo actualizações em função da taxa de inflação com a produção nacional e com alguns produtos importados, garantimos os produtos da cesta básica, as matérias primas para a indústria e materiais para a construção”.

Em seis meses, continuou Santos, o Governo dele vez “baixar a inflação que tinha subido por causa da crise até aos 40% para cerca de 20% e a meta era fazê-la descer até Dezembro daquele ano até 15%”.

“Por conseguinte havia uma relativa estabilidade no país”, assegurou o antigo Presidente, garantindo que havia “reservas internacionais líquidas do BNA de mais de 15 mil milhões de dólares e todas as receitas do orçamento eram inscritas no Tesouro Nacional”.

A declaração de José Eduardo dos Santos, na sede da sua fundação, FESA, surge quatro dias de o Presidente João Lourenço ter dito ao jornal português Expresso que não recebeu as pastas do seu antecessor da melhor forma.

“Nada me foi apresentado”, revelou Lourenço, acrescentando que, “caso isto não bastasse, houve a tentativa de retirada dos parcos recursos de cerca de mil e 500 milhões de dólares para serem depositados numa conta no exterior de uma empresa de fachada”.

“Esta é a situação que encontramos: os cofres do Estado já vazios com a tentativa de os esvaziarem ainda mais”, concluiu Lourenço.

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