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Sociedade civil exige transparência nos acordos Moçambique-Ruanda


Paul Kagame e Filipe Nyusi em Cabo Delgado

Sem fornecer detalhes, autoridades dizem que os acordos abrangem comércio, agricultura, defesa e segurança

O secretismo que envolve os acordos entre Moçambique e o Ruanda está a levantar a preocupação de que os mesmos possam incluir a extradição de refugiados ruandeses e provocar situações idênticas às dívidas ocultas, em julgamento na capital moçambicana.

Sociedade civil exige transparência nos acordos Moçambique-Ruanda
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Os presidentes moçambicano, Filipe Nyusi, e do Ruanda, Paul Kagame, assinaram, semana passada, em Cabo Delgado, um memorando de entendimento, que, alguns sectores da opinião pública moçambicana suspeitam que incluem a extradição de refugiados ruandeses para aquele país.

"Não se diz quais são as áreas cobertas por esse memorando, nem em que condições o mesmo é feito, pelo que fica esta suspeição de que algo estranho esteja a ser tratado entre os dois líderes", afirmou o sociólogo Francisco Matsinhe.

Depois de críticas, António Macheve, porta-voz do ministério moçambicano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação disse à imprensa que não existe qualquer acordo que inclua a extradição de cidadãos ruandeses para o seu país.

"Os acordos que existem são nos domínios do comércio, agricultura, defesa e segurança e investimentos", disse.

Festa na miséria

António Timba, quadro sénior da Renamo, afirma que "é muito preocupante o secretismo que envolve os acordos entre Moçambique e o Ruanda, porque apesar de a paz ser fundamental, as coisas devem ser feitas de forma transparente e legal".

O secretismo mergulhou o país no escandâlo das dívidas ocultas, recorda o Secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), José Manuel, também indignado com a falta de transparência das autoridades.

Por outro lado, Matsinhe critica o facto de se ter organizado "uma grande festa numa província, onde milhares de pessoas afectadas pela guerra, enfrentam uma grave falta de alimentos e de outros bens essenciais".

“Não tenho nada contra almoços, nem jantares (…) mas penso que não faz sentido", remata o professor Tomás Ubisse.

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