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Sindicato de Jornalistas ameaça apresentar queixa-crime contra Estado da Guiné-Bissau


Úmaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-Bissau, 30 dezembro 2020

Classe reage contra agressões a profissionais da classe

O Sindicato Nacional dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJETCS) vai apresentar uma queixa-crime contra o Estado da Guiné-Bissau, depois do espancamento dos jornalistas António Aly Silva e Adão Ramalho na semana passada e meses de ameaças e agressões contra os jornalistas.

Profissionais do sector questionam agora até que ponto deixará de haver uma comunicação social crítica no país, perante as limitações impostas pelas actuais autoridades politicas.

Não obstante reconhecer o actual “quadro de terror” que se assiste a vice-presidente do SINJETCS garante que a classe mantém-se a firme.

“Não é segredo para ninguém que os profissionais da comunicação social na Guiné-Bissau estão a exercer a profissão num ambiente de muita perturbação, de terror, de medo, assim com, num ambiente de intimidação, de mentiras e calúnias. Mas isso, não vai fazer com que recuarmos naquilo que é a nossa responsabilidade”, assegura a vice-presidente do SINJETCS, Fátima Tchuma Camará

Por seu lado, o jornalista e editor do semanário “Última Hora”, Sabino Santos, afirma não estar optimista que a situação mude a favor da imprensa a curto prazo.

“Não estou optimista porque infelizmente há falta de seriedade por parte do poder político. É, no mínimo, absurdo quando acontecem situações como estas e, de seguida, ouvir os detentores do poder a prometer que aquilo jamais ia acontecer, mas, paradoxalmente, no espaço de horas acontecem coisas piores. Portanto, da minha parte, não há nenhum optimismo em como isso pode mudar”, diz.

Para Tiago Seide, editor-chefe da Capital FM, não se pode falar da democracia sem uma imprensa livre.

“Não se pode admitir que num Estado que se diz ser de direito, como o nosso, um jornalista seja agredido, raptado, espancado à luz do dia, sem que forças de segurança que estavam no terreno, vendo estes terroristas, encobertos de um sentimentalismo de proteção do poder instalado não sejam presos”, denuncia.

Mas Fátima Tchumá Camará, também jornalista da Rádio Pública guineense, apesar de reconhecer a precariedade laboral que os jornalistas enfrentam, acredita que as coisas podem mudar, mantendo a máxima, “a esperança é última a morrer”.

“A esperança é última coisa que morre. Temos que continuar a acreditar. Sabemos que não é nada fácil, pois mudança de mentalidade é um processo e não se termina de um dia para outro. Acreditamos que vai ser possível um dia em que os jornalistas trabalharão em condições decentes. A precariedade que se verifica ao nível dos órgãos da Comunicação Social deixa muito a desejar. E mais, a nossa profissão está assaltada por pessoas que não têm, sequer, a mínima noção do que é fazer informação. Ou seja, com isso, quero dizer que a nossa profissão está assaltada por ‘ditos jornalistas militantes’. Isso está a minar esta nobre profissão”, afirma Camará.

Refira-se que nesta terça-feira, 16, o bastonário da Ordem dos Jornalistas da Guiné-Bissau juntou-se ao coro de críticas e disse que os profissioanis “têm sido alvo de intimidação, ameaças e discriminação por parte do Presidente da República, que quando aparece em público faz acusações contra os jornalistas".

António Nhaga exigiu ao chefe de Estado "rigor e responsabilidade nas suas comunicações".

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