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Sem protecção da produção interna, Moçambique não deixará de importar arroz - analistas


O país continua a importar cerca de 500 mil toneladas de arroz

As autoridades moçambicanas dizem que o país vai, em breve, deixar de importar arroz, mas para analistas, nos próximos quatro anos, isso não será possível sem medidas de protecção da produção interna e apoio ao preço dos insumos e equipamentos agrícolas.

Por essa via, segundo as autoridades, Moçambique poderá poupar 200 milhões de dólares anuais, "graças a uma nova abordagem que o Ministério da Agricultura está a implementar no país."

"Moçambique tem, efectivamente, condições para deixar de importar arroz, porque tem terras, água e clima, e a questão é saber se vai ser em pouco tempo ou não. Mas eu penso que nos próximos quatro anos, ainda estaremos distantes de o fazer", disse Arnaldo Ribeiro, especialista e consultor na área de produção de arroz.

Moçambique continua a importar cerca de 500 mil toneladas de arroz descascado por ano e o país deve estar a produzir menos de 300 mil toneladas de arroz em casca, disse Ribeiro.

Ribeiro diz haver vários constrangimentos, entre os quais o de se estar a trabalhar com camponeses com meio hectar de terra, sendo necessário capacitá-los para poderem aumentar a produtividade entre cinco e seis toneladas.

Investimento privado

"Isso não se faz de um momento para o outro; isso exige vários anos de trabalho e começa desde a investigação até à produção e distribuição de semente, e essas coisas ainda não estão bem organizadas; nós não temos grandes produtores de semente certificada de arroz, e a nossa rede de distribuição de insumos não está ainda estruturada e bem organizada em todo o país", afirmou.

Um outro constrangimento apontado por aquele consultor está relacionado com o investimento privado "que não vem por causa da terra."

Ele realçou que "apesar de dizermos que temos muita terra, este é um problema muito grande que os investidores nacionais e estrangeiros enfrentam; têm de demorar muito tempo à procura de terra, porque têm que cumprir todo aquele percurso previsto na Lei de Terra, que muitas vezes é um processo muito demorado e eles acabam desistindo".

"O mais importante ainda é que nós não conseguiremos, sem medidas de apoio ao preço de factores de produção, ou seja dos insumos e equipamentos, competir com os grandes produtores de arroz a nível mundial, como sejam a Tailândia, India, Vietname e outros, que são países com um sector privado muito mais desenvolvido.

Por seu turno, o coordenador técnico do Observatório do Meio Rural, João Feijó, diz que nesta questão do arroz, há aspectos ligados à importação e comercialização que o Governo deve rever.

E o analista Alexandre Chiure diz que Moçambique tem condições para deixar de importar arroz, "porque possui três milhões de hectares de terra arável, tem muita água e muita mão-de-obra para produzir não apenas arroz como também outras culturas, o que falta são políticas para o desenvolvimento do sector agrário".

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