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Sérgio Moro promete combater a corrupção


Sérgio Moro

"Não contrariei aquela minha afirmação de que ‘jamais entraria na política’. Na minha perspectiva, sigo atuando em uma função técnica", diz Moro.

O futuro ministro da Justiça, juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, diz que a ida dele para o governo não se trata de uma recompensa e que o objectivo é fazer no Governo Federal tudo que não foi feito pela Lava Jato numa forte agenda anticorrupção.

Sérgio Moro promete combater a corrupção
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“O Brasil tem uma tradição de impunidade dos crimes de grande corrupção e essa tradição vem sendo quebrada nos últimos anos, e a Lava Jato faz parte da quebra dessa tradição de impunidade. O que mais me perturbava era essa sensação de que um dia a minha sorte e a sorte da Operação Lava Jato poderia ser encerrada. Levou-me a aceitar esse convite que foi feito pelo presidente eleito. O objetivo é no Governo Federal realizar o que não foi feito, com todo o respeito nos últimos anos, uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado”, disse.

Sérgio Moro reforça que a condenação do ex-presidente Lula da Silva foi feita bem antes de qualquer decisão eleitoral.

"O ex-presidente Lula foi condenado e preso por ter cometido um crime. O que houve foi uma pessoa que lamentavelmente cometeu um crime e respondeu na Justiça", argumentou.

O juiz falou sobre o encontro com o presidente eleito Jair Bolsonaro, com quem espera acertar pontos de divergências e que combinou que não haverá interferências políticas no trabalho.

“A minha impressão foi muito positiva, me pareceu uma pessoa bastante ponderada. Ainda que não haja uma concordância absoluta, mesmo nas divergências me parece ser possível chegar a um meio termo. Aceitei o convite porque entendi que havia convergências importantes principalmente sobre a agenda anticorrupção e anticrime organizado deixando claro que tudo seria realizado com base na Constituição, nas leis e nos direitos fundamentais”, ressaltou.

O futuro ministro apresentou alguns pontos que discorda parcialmente de Bolsonaro.

Ele disse que respeita a proposta de flexibilização da posse e do porte de armas, uma das bases eleitorais do novo presidente, mas que se preocupa com o facto de que isso poderia municiar ainda mais organizações criminosas.

Sobre a redução da maioridade penal, Sérgio Moro afirma que quem tem acima de 16 anos já tem discernimento ao cometer um crime, mas que os jovens e as famílias devem ser protegidos pela justiça.

E sobre o enquadramento de movimentos sociais como MST e MTST como terroristas Sérgio Moro disse que não concorda, mas eles devem ser punidos de acordo com os actos.

Quanto ao facto de integrantes do governo de Bolsonaro estarem envolvidos em denúncias de corrupção, o juiz afirma que as investigações ainda são vagas e que não há possibilidade de fazer juízo de valor.

Sérgio Moro não entende que ao assumir o ministério esteja entrando para a política. Na visão dele, apenas aceitou um cargo técnico.

“Não contrariei aquela minha afirmação de que ‘jamais entraria na política’. Na minha perspectiva, sigo atuando em uma função técnica. Um trabalho técnico. Sou um juiz a cargo desse ministério específico. Não tenho nenhuma pretensão de concorrer a cargos eletivos, subir em um palanque. Agora, haverá diálogo com o Congresso, claro, e isso é, de certa maneira, a realização de política. Mas não é a minha visão do cargo”, completou.

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