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São-tomenses pedem ao Presidente português que facilita uma investigação aos acontecimentos de 25 de Novembro


Militares nas ruas de Sao Tomé
Militares nas ruas de Sao Tomé

Carta foi entregue a Marcelo Rebelo de Sousa no sábado, 4, no final de uma marcha em que participaram cerca de três dezenas de são-tomenses radicados em Portugal

Um grupo de cidadãos são-tomenses entregou no sábado, 4, uma carta ao Presidente português na qual pede a Marcelo Rebelo de Sousa que active mecanismos internacionais para levar a cabo uma investigação aos acontecimentos de 25 de Novembro.

Naquele dia, um alegado ataque ao quartel-general das Forças Armadas foi considerado pelo primeiro-ministro Patrice Trovoada uma tentativa de golpe de Estado.

Dias depois quatro pessoas foram torturadas e mortas pelos militares, entre Arlécio Costa, antigo comandante do extinto Batalhão Búfalo, da África do Sul.

Na ocasião, também foi detido o antigo presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves, dias depois libertado pela justiça.

A carta foi entregue a Rebelo de Sousa no final de uma marcha, em Lisboa, protagonizada por cerca de três dezenas de cidadãos são-tomenses residentes em Portugal.

Na carta, os subscritores lembram que o país "experienciou o mais trágico momento da sua história nos últimos 50 anos" e denunciam "consternação face à actual conjuntura política de insegurança colectiva que vivemos no país".

"A natureza e dimensão dos actos de terror e perseguição ora referidos
constituem total novidade no nosso país, onde impera no presente um clima
generalizado de medo, por receios justificados de caça às bruxas, revanchismo,
e tentativa de implantação de métodos ditatoriais, aos quais os atuais dirigentes
políticos do país já em tempos atrás, nos habituaram", lê-se na carta, em que, dizem os subscritores, "existem inclusive actos de perseguição a cidadãos na praça pública, no normal exercício dos seus direitos constitucionais".

Os autores asseguram que quatro cidadãos "foram friamente torturados e mortos no quartel-geral das Forças Armadas, diversos outros foram torturados".

Ante esse cenrário, os subscritores pedem uma rigorosa investigação internacional e recorreram a Marcelo Rebelo de Sousa para pedir que ele use a sua magistratura de influência, particularmente na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vicando "impedir mais derramamento de sangue e ilegalidades similares em São Tomé e Príncipe" e facilitar "mecanismos internacionais disponíveis e eficazes para levar a cabo tal investigação".

A carta é ilustrada com vários fotos das pessoas mortas.

O Presidente português não fez qualquer comentário.

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