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São Tomé e Príncipe: desafios e associativismo


JGercileyk Guadalupe, secretária-geral do Conselho Nacional da Juventude de São Tomé e Príncipe

O associativismo deve servir para unir os jovens, não para separá-los, diz JGercilyk Guadalupe, secretária-geral do CNJ de São Tomé e Príncipe.

Em entrevista à Voz da América, a secretária-geral do Conselho Nacional da Juventude de São Tomé e Príncipe (CNJ), JGercileyk Guadalupe, de 25 anos, destacou a importância dos jovens para o futuro do país, bem como o envolvimento da juventude com o associativismo.

Guadalupe disse que é fundamental que a juventude saiba do valor que tem, participe da vida em sociedade e seja ouvida de forma responsável pelos governantes.

No entanto, a secretária-geral sabe que numa sociedade desigual e carente de meios o Estado não tem como atender a todos os pedidos, desejos e preocupações dos cidadãos. Por isso ela ressalta a importância da juventude estar organizada, estar envolvida com o associativismo para fazer a diferença.

“Felizmente, nos últimos anos, os jovens têm realmente se despertado para aquilo que é o associativismo, para aquilo que é o trabalho em grupo, aquilo que são os valores morais, sociais e valores étnicos”.

Entretanto, durante a entrevista, a secretária-geral do CNJ denunciou uma situação lamentável que está a acontecer no país. Há jovens que estão se aproveitando, com fins políticos, do associativismo e da boa vontade dos que estão à frente dos movimentos.

Guadalupe contou que jovens estão sendo subornados e vendendo os sonhos em troca de cargos políticos, por valores pequenos, e prejudicando o trabalho de associativismo sendo feito no país.

A secretária-geral do CNJ enfatizou que o objectivo do associativismo é a melhoria da sociedade.

JGercileyk Guadalupe, secretária-geral do Conselho Nacional da Juventude de São Tomé e Príncipe
JGercileyk Guadalupe, secretária-geral do Conselho Nacional da Juventude de São Tomé e Príncipe

“No que diz respeito à juventude, o associativismo deve servir para que o Estado entenda que a juventude está atenta, que a juventude precisa de saúde, que a juventude precisa de educação, que a juventude precisa de um lar, de uma família, e o Estado deve garantir.”

Guadalupe disse que o associativismo visa principalmnete desenvolver a capacidade intelectual dos jovens e investir na informação social e cultural para que todos consigam viver numa sociedade digna e igual, independentemente do partido político a que cada um pertença.

"O associativismo deve servir para unir os jovens, não para separá-los".

Mulheres no associativismo

Em quase todas as sociedades as mulheres lutam diariamente para conquistar um espaço, e para ter a sua voz ouvida, e em São Tomé isso não é diferente, de acordo com Guadalupe. O desafio é que quase tudo gira em torno da política.

Existem muitos movimentos que defendem a causa da mulher, mas quase todos eles ligados ou direcionados a um partido político a que elas pertencem. Vemos mulheres e famílias necessitadas, que muitas vezes são esquecidas.

Guadalupe pediu para que a juventude e as mulheres são-tomenses se unam para trilhar o seu próprio caminho. Recentemente ela e outras colegas criaram o movimento Mamã Catxina com esse objectivo.

"É um movimento inspirado no poema da Alda Espírito Santo que retrata a labuta diária de uma mulher na conquista da independência. Na conquista e união de todas as mulheres numa só plataforma, independentemente do estatuto social, da classe a que pertence, da família ou do cunho que tiver na sociedade".

Mamã Catxina, que é um movimento liderado por jovens e para jovens, busca conectar as mais jovens às mais velhas para que juntas encontrem um rumo que faça com que consigam atingir o empoderamento feminino e o despertar da classe feminina.

"O importante é nós estarmos juntas, porque todas somos mulheres e nós sabemos quais são as necessidade das mulheres".

Guadalupe contou que através do movimento Mamã Catxina as são-tomenses abordam diversos assuntos, entre eles gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis e melhores condições de trabalho.

"Por que as mulheres devem ter sempre cotas inferiores? Por que as mulheres não podem ocupar os mesmos cargos que os homens?. O que nos difere? Simplesmente uma questão de género, não é?".

Guadalupe concluiu a entrevista dizendo que acredita as mulheres podem fazer mais por elas mesmas e que o movimento Mamã Catxina vai continuar a contribuir para o desenvolvimento da sociedade, para a união e emancipação da classe.

Confira a entrevista.

Entrevista de áudio com JGercileyk Guadalupe
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