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República Democrática do Congo: Votação no meio da chuva, maquinas avariadas e atrasos


Votação num dia de Chuva

As eleições são eventos raros no Congo, país que sofreu com ditaduras, assassinatos, golpes e guerras civis desde sua independência da Bélgica, em 1960.

A muito aguardada eleição na República Democrática do Congo teve um começo difícil neste domingo, 29, devido à chuva torrencial na capital, longos atrasos nalgumas secções eleitorais e máquinas avariadas.

Três bastiões da oposição não terão votações após as autoridades cancelarem a eleição nesses locais, citando riscos para a saúde, em meio a um surto de Ebola e violência étnica.

As eleições são eventos raros no Congo, país que sofreu com ditaduras, assassinatos, golpes e guerras civis desde sua independência da Bélgica, em 1960.

Se o presidente Joseph Kabila, que está no poder desde o assassinato de seu pai, em 2001, deixar o cargo após a votação, será a primeira transição democrática do país na história.

Kabila preocupado com a chuva

Kabila votou pela manhã na capital Kinshasa, na mesma escola que o candidato por si apoiado, o ex-ministro do interior Emmanuel Ramazani Shadary.

Joseph Kabila votou
Joseph Kabila votou

Shadary está atrás dos dois candidatos da oposição, de acordo com as últimas pesquisas de opinião.

“A minha única preocupação é que temos essa chuva muito forte e provavelmente a participação será baixa, mas com sorte os céus vão clarear e os eleitores comparecerão massivamente”, disse Kabila.

Atraso e máquinas avariadas

A conferência dos bispos católicos (CENCO) disse que a votação não tinha começado pontualmente em 830 secções eleitorais, o equivalente a um quinto das seções do país. Também disse que 846 secções estavam instaladas em “locais proibidos”, como postos do exército e da polícia.

Na cidade de Goma, onde o tempo estava bom, uma testemunha da Reuters viu moradores votando, mas outra secção na cidade ainda estava fechada 90 minutos após a abertura das urnas.

“Alguns eleitores nem mesmo sabem como usar a máquina de votação”, disse Kayembe Mvita Dido, aguardando na fila de uma secção eleitoral, aos pés do vulcão Nyiragongo. Ele referia-se ao novo sistema de votação eletrónico, que a oposição considera vulnerável a fraudes.

Várias máquinas avariaram em Kinshasa, Goma e Bukavu, levando a votação a interrupções em alguns lugares, disseram testemunhas. Alguns eleitores reclamaram que não conseguiam encontrar os seus nomes nas listas, enquanto as ruas alagadas de Kinshasa impediam que outros chegassem aos locais de votação.

“Temos alguns problemas, mas estamos lidando com todos”, disse o porta-voz da comissão eleitoral (CENI), Jean-Pierre Kalamba, na televisão estatal. “Quando surge um problema…a solução não vai ser perfeita...”

Medo da violência

Apesar dos repetidos adiamentos da eleição, que originalmente deveria ter acontecido em 2016, diplomatas e observadores eleitorais disseram que as autoridades estão mal preparadas, levantando temores de uma repetição da violência que sucedeu as eleições de 2006 e 2011.

Kivu-Norte, Polícia afasta manifestantes durante a campanha eleitoral
Kivu-Norte, Polícia afasta manifestantes durante a campanha eleitoral

O acordo de Kabila para aderir às leis constitucionais do mandato deve representar progresso para o país africano rico em minérios.

Os críticos, no entanto, duvidam que a votação não será manchada por fraudes e creem que Kabila continuará a governar nos bastidores. Ele não descarta concorrer à Presidência novamente em 2023.

Reuters.

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