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Relatório dos EUA deve confirmar implicação do príncipe saudita na morte de Khashoggi


FILE - People hold pictures of Saudi journalist Jamal Khashoggi during a gathering to mark the second anniversary of his killing at the Saudi Consulate, in Istanbul, Turkey, Oct. 2, 2020.

Administração Biden autoriza divulgação de documento dos serviços de inteligência

O Governo americano deve divulgar ainda nesta quinta-feira, 25, um relatório dos servícios de inteligência com a conclusão de que o príncipe saudita Mohammed bin Salman aprovou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018.

Ontem, o Presidente Joe Biden disse a jornalistas que havia lido o relatório e esperava falar em breve por telefone com o rei da Arábia Saudita Salman, pai do príncipe herdeiro, que é quem, na prática, governa o país.

A divulgacao do relatório faz parte da política do Presidente americano para realinhar os laços com Riade, depois de anos durante os quais Washington ofereceu ao seu aliado árabe e grande produtor de petróleo um caminho aberto às violações dos direitos humanos e a sua intervenção na guerra civil do Iémen, que levou ao país mais pobreza e mortes.

Enquanto isso, Joe Biden trabalha para restaurar o relacionamento com a Arábia Saudita à luz das linhas tradicionais, após quatro anos de uma aproximação muito pessoal do antigo Presidente Donald Trump ao príncipe saudita.

Nessa estratégia, o Biden restringe os seus contactos ao rei, enquanto membros da administração conversam com as autoridades sauditas a vários níveis.

"Mantivemos contacto com autoridades sauditas em diversos níveis nas primeiras semanas deste Governo", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.

Jamal Khashoggi, jornalista saudita e colunista do Washington Post, foi atraído para o consulado saudita em Istambul a 2 de Outubro de 2018 onde foi morto por uma equipa de agentes ligados ao príncipe herdeiro.

O corpo dele foi desmembrado e os seus seus restos mortais nunca foram encontrados.

Depois de muita pressão internacional, Riade admitiu que Khashoggi foi morto numa operação de extradição "desonesta" que falhou, mas negou qualquer envolvimento do príncipe herdeiro.

Cinco homens condenados à pena de morte pelo assassinato tiveram as suas sentenças comutadas para 20 anos de prisão depois de terem sido perdoados pela família de Khashoggi.

Em 2019, a investigadora de direitos humanos das Nações Unidas, Agnes Callamard, acusou a Arábia Saudita de uma "execução deliberada e premeditada" de Khashoggi.

Relatório bloqueado por Trump

Após uma investigação de seis meses, Callamard concluiu haver “evidências credíveis suficientes sobre a responsabilidade do príncipe herdeiro que exige mais investigações”.

Uma versão secreta do relatório foi compartilhada com membros do Congresso no final de 2018, mas o Governo Trump rejeitou os pedidos de legisladores e grupos de defesa de direitos humanos para publicar uma versão desclassificada, alegadamente para preservar a cooperação em meio a tensões crescentes com o rival regional de Riade, o Irão, e promover a venda de armas americanas à Arábia Saudita.

Com a mudança da Administração em Washington, a nova directora de Inteligência Nacional, Avril Haines, comprometeu-se, na audiência de confirmação no Senado, a cumprir uma cláusula do projecto de defesa de 2019 que exigia que o Gabinete do Director de Inteligência Nacional divulgasse em 30 dias um relatório desclassificado sobre o assassinato de Khashoggi.

Durante a campanha eleitoral, Joe Biden comprometeu-se a reavaliar os laços entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, em parte por causa do assassinato de Khashoggi, e já suspendeu a venda de armas.

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