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Proprietários de creches e jardins de infância declaram falência na Huíla


Lubango, capital da província angolana da Huíla

Quatro meses após fecharem as portas como parte das medidas de prevenção contra a Covid-19, creches, jardins-de-infância e pré-escolares na província angolana da Huíla anunciaram agora falência técnica.

Sem condições de pagar salários e com outras dívidas associadas, aqueles estabelecimentos viram-se forçados a suspender dezenas de contratos com o pessoal e a aguardar pela sorte futura.

Oriana de Jesus, gestora do jardim-de-infância Cresce e Aparece, diz mesmo que nesta altura falar de uma possível retoma para a instituição é difícil.

“Nós estamos com a corda no pescoço desde mevereiro e março, não temos fundos, não temos dinheiros em caixa, não temos reservas, se tivermos que retomar não sei como vai ser”, diz Jesus.

Em situação difícil estão contabilizadas 27 instituições só na cidade do Lubango.

Adélia Rodrigues, proprietária de outra creche na cidade, refere que o momento bastante sombrio levanta incógnitas difíceis de responder, mas sugere que as autoridades façam alguma coisa.

“Só espero que alguém nos oiça e que alguém tome medidas para contrariar esta situação”, pede Rodrigues, que lembra o papel destas instituições na primeira fase de formação das crianças que, no seu entender, deviam ser vistas de outra forma.

“Nós fazemos Ensino, nós não nos limitamos a guardar as crianças a alimentá-las, nós temos muito trabalho contínuo e que neste momento esperamos que passe a ter uma relevância uma visão diferente perante as entidades que tutelam a educação”, acrescenta Rodrigues.

O representante da classe empresarial da região, Paulo Gaspar, reitera que o setor considerado não essencial de fora das medidas de alívio económico do Governo, tem peso significativo na manutenção de empregos.

“Estes setores de fato estão, eu não diria, esquecidos, mas sem qualquer apoio porque não são considerados essenciais apesar de representarem, segundo a última estatística nacional, cerca de 45 por cento da força de trabalho”, lembra Gaspar.

A VOA tentou sem sucesso ouvir o gabinete local da Ação Cocial que responde pelas instituições que lidam com a primeira infância.

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