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Programado monumento do ANC em Malanje esconde revolta em território angolano


General rudzani maphwanya da Africa do Sul em Malanje

Os governos de Angola e África do Sul poderão em breve erguer um monumento na província de Malanje em homenagem quadros do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul que morreram em combate ao lado das forças governamentais angolanas durante a guerra civil contra a UNITA.

Mas se é verdade que houve combatentes do ANC que morreram ao lado das FAPLA, essa decisão de enviar combatentes do ANC para combater a UNITA resultou numa revolta armada interna dentro do movimento sul-africano, que só foi controlada graças à intervenção de unidades do exército angolano que puseram fim à rebelião.

Vários foram posteriormente fuzilados pelo ANC ou morreram em circunstâncias misteriosas.

Ao falar em Malanje nesta semana, o chefe das forças de defesa da África do Sul, o general Rudzani Maphwanya, disse que monumento deve ser erguido "de modo que as próximas gerações possam vir e saber daqueles que derramaram o seu sangue para que hoje tivéssemos a paz que estamos a viver”.

O governador em exercício de Malanje, Domingos Eduardo, afirmou que o Executivo angolano apoia “totalmente a iniciativa”.

Não foi feita qualquer referência aos tumultos que a guerra civil provocou dentro do movimento sul -africano que foram despoletados quando em Agosto de 1983 uma brigada do ANC foi enviada pra combater a UNITA.

A revolta do ANC

O ANC possuia várias bases através de Angola mas as dificuldades em infiltrar a África do Su l com um exército de gurrilha rural estavam a provocar descontentamento dentro dessas bases espalhadas por seis locais diferentes .

No livro “External Mission – The ANC in Exile”, o historiador Stephen Ellis relatou como guerrilheiros do ANC em Kangandala avançaram sobre Caculama, a principal base da ala militar do ANC em Malanje para confrontar a liderança do movimento e “exigir o fim das operações contra a UNITA e a abertura de uma campanha na África do Sul”.

O ANC teria pedido “em vão” a intervenção de forças angolanas e cubanas depois do então presidente da organização, Oliver Tambo, ter partido para Luanda.

Os revoltosos apoderaram–se de veículos e viajaram para Luanda, tendo, no entanto, parado num campo de trânsito em Viana.

Intervenção de José Eduardo dos Santos

“Centenas de soldados irritados e armados estavam agora concentrados próximo da capital angolana.... O ANC pediu novamente ao Governo e ao quartel cubano para inervir mas ambos recusaram”, lê-se no livro.

Os revoltoso acabram por nomear um comité de 10 pessoas para negociar com a liderança, mas foi então que o Presidente José Eduardo dos Santos decidu intervir “aparentemente depois de receber um tefonema de Tambo”.

A força enviada para zona foi comandanda por António França “Ndalu” que depois de uma breve troca de tiros concordou em aceitar a entrega de armas mas, segundo o livro, violou um acordo com os revoltosos de não entregar as armas ao ANC

Varios foram presos e mais tarde sete dos dirigentes foram fuzilados, diz o livro.

Em Dezembro de 1988, ironicamente, a África do Sul, Cuba e Angola assinaram acordos de paz em Nova Iorque ao abrigo dos quais o Governo angolano mandou encerrar todos os campos do ANC.

Vários quadros do movimento sul-africano presos no campo Quatro, no norte do país, foram transferidos para o Uganda para onde foram também grande número de quadros, enquanto outros seguiram para a Tanzânia.

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