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Presidente da Renamo reitera engajamento na desmobilização e reintegração dos seus membros


Ossufo Momade, presidente da Renamo, e Filipe Nyusi, Presidente da República, na Presidência, Maputo, 5 Abril 2022

Ossufo Momade disse em Maputo que a Renamo está determinada a levar a cabo o processo de desarmamento do seu braço armado até às últimas consequências, por entre críticas dos guerrilheiros já desmobilizados de que a sua reintegração social não está a ser justa.

O presidente do principal partido da oposição falava nesta terça-feira, 12, na abertura de um encontro da direcção do partido, em que a Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração, o chamado processo DDR, foi tema dominante.

Momade precisou que à luz do acordo de 6 de Agosto de 2019, "continuamos determinados a cumprir, no espírito e na letra, esse importante entendimento, que se vai materializando através do processo de desmobilização, desarmamento e reintegração".

Ele referiu que no seu recente encontro com o Presidente da República, Filipe Nyusi, foi acordada a retomada imediata deste processo, que se encontra interrompido há vários meses e sublinhou que, da parte da Renamo, "continua a nossa colaboração e compromisso inabaláveis para o seu sucesso".

Projectos de desenvolvimento para desmobilizados

Entretanto, o projecto de desenvolvimento local para a consolidação da paz em Moçambique está a aplicar 29 milhões de euros em iniciativas de geração de renda para ex-guerrilheiros da Renamo nas províncias centrais de Sofala, Manica e Tete.

O coordenador regional da iniciativa, Tony José, disse que o objectivo é fazer com que os antigos guerrilheiros deixem de pensar em retornar à guerra mas em projectos de desenvolvimento, realçando que a inclusão social é o ponto forte deste projecto.

Refira-se que o processo DDR tem sido alvo de críticas, sobretudo por parte de guerrilheiros já desmobilizados, alguns dos quais se consideram abandonados e sem meios de sobrevivência.

A própria Renamo tem acusado o Governo de incumprimento daquilo que foi acordado entre as partes sobre o assunto.

Para o Governo, a falta de dinheiro tem sido o principal constrangimento na aplicação deste processo.

Igrejas ajudam

Por outro lado, o Conselho Islâmico de Moçambique e o Encontro Fraternal das Igrejas estão a treinar 35 líderes religiosos no apoio e assistência social a guerrilheiros da Renamo desmobilizados no contexto do DDR, nas províncias de Sofala, Manica e Tete.

A ideia, segundo Pereira Gama, coordenador do Encontro Fraternal das Igrejas em Manica, é tentar fazer com que os antigos guerrilheiros se sintam comprometidos com a paz.

"Mesmo que seja verdade que o processo DDR não está a ser justo, o que se pretende com esta iniciativa, é que os desmobilizados não encarem o regresso à guerra como solução, mas sim o diálogo e a paciência como os elementos que podem ajudar na satisfação das suas exigências", destacou Gama.

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