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Presidente da CEAST apela ao diálogo e eleições com verdade e justiça em Angola


Líderes da CEAST recebidos pelo governador de Benguela, Luís Nunes

Dom José Manuel Imbamba aborda o papel da imprensa num ambiente sombrio e defende a protecção da criança

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tome (CEAST) fez um forte apelo à “verdade, justiça e transparência” na preparação e realização as eleições gerais de Agosto, num país onde há uma “democracia ainda jovem e débil”, criticou o controlo da imprensa pelo Governo e pediu a protecção das crianças que enfrentam a pobreza e a violência.

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Na abertura da reunião nesta terça-feira, 1, em Benguela, Dom José Manuel Imbamba alertou que a campanha para as eleições “só será bem-sucedida se for baseada no respeito mútuo e todos os partidos reconhecidos tiverem o direito e a oportunidade de expressar o seu ideário”.

Aquele responsável eclesiástico fez uma forte defesa da paz e pediu que “sejamos construtores de pontes e não de muros de separação, façamos render as nossas inteligências não para maquinar o mal, o ódio, a intriga, a calúnia, a exclusão”, e que não haja “excessos e cegos fanatismos, que geram o clima de crispação, rixas, medo, incerteza e falta de confiança no futuro”.

“Por Angola todos nós devemos nos sentar para nos ouvirmos, por Angola todos nós devemos nos despir das nossas diferenças para termos a única vestimenta que é Angola, a nossa pátria que tanto amamos e que queremos ver brilhar”, sublinhou.

Contra o absentismo numa democracia débil

Ao desafiar os católicos a participarem do processo com “alto sentido de responsabilidade” e a “evitarem o absentismo”, Dom José Manuel Imbamba lembrou que “2022 é o ano das eleições para a consolidação da nossa democracia ainda jovem e débil embora já com alguma história no tempo” e destacou que “a democracia fortificada contribui, por sua natureza, indubitavelmente para a afirmação da dignidade humana, o reforço da justiça, da paz e do bem-estar entre os cidadãos”.

Dom José Manuel Imbamba enfatizou ainda que as eleições serão bem sucedidas “se forem bem preparadas na verdade, transparência, honestidade e justiça”.

Ele também lembrou que “a educação para a democracia cultiva-se” e pediu um investimento na educação cívica dos eleitores.

A estatização da imprensa privada, através do processo de recuperação de dinheiros desviados do Estado, não foi esquecida pelo presidente da CEAST, para quem esses meios "estão a contribuir para o actual ambiente sombrio e nefasto" que "em nada contribui para a harmonia social, paz dos espíritos, para cultura do diálogo, da democracia e da fraternidade social".

A Conferência acontece na vivência do primeiro ano do triénio dedicado à criança e por isso o também arcebispo de Saurimo defendeu uma reflexão profunda sobre a criança na igreja e na sociedade.

“Ela (a criança) de facto é a garantia do futuro da igreja e de qualquer nação, por isso os cuidados para com ela representam prioridade absoluta, é por isso também que a pastoral da criança é das mais importantes da igreja”, aponta Dom José Manuel Imbamba, acrescentando que a “pobreza, a falta de assistência médica, de escolas, os vários abusos, de que as vezes é vítima, a fome, a desnutrição constituem alguns dos males que nos preocupam a atentam contra sua identidade e dignidade e comprometem o futuro da sociedade”.

O presidente da CEAST abordou na sua longa intervenção a seca, a perda dos valores na sociedade e vários aspectos da vida eclesiástica e social que serão analisados na assembleia da CEAST que termina na segunda-feira, 7.

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