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Caso Lussaty: Presidência de Angola usada como banco do MPLA, revela oficial em tribunal


Presidência da República de Angola
Presidência da República de Angola

Dinheiro da Casa de Seguranca foi usado para financiar campanhas

Quantias avultadas de dinheiro da Presidência da República de Angola foram usadas em campanhas eleitorais para beneficiar o MPLA.

As revelações, que confirmam suspeitas de como o partido no poder tem usado o erário público para seu benefício, foram feitas numa sessão do julgamento do chamado “caso Lussaty” envolvendo o alegado desvio de milhões de dólares da Casa Militar da Presidência.

O coronel Jacinto Hengombe, antigo antigo assistente principal da Secretaria Geral da ex-Casa de Segurança, actualmente Casa Militar do Presidente da República, que se encontra preso, revelou que parte do dinheiro que retiravam do BPC era usada para a realização de operações especiais, como financiar a campanha do MPLA em 2008 e 2012, que possibilitaram a reeleição de José Eduardo dos Santos, e a eleição de João Lourenço em 2017.

O coronel Hengombe contou que o financiamento da campanha do MPLA em 2008, 2012 e 2017, “era feito sob orientação dos generais Helder Viera Dias “Kopelipa”, Cerqueira João Lourenço e do então secretário geral da Casa de Segurança do Presidente da República", de quem recebia orientações directas.

Hengombe contou que “transportava o dinheiro em mãos e em voos militares, quando era necessário para suportar as despesas fora da capital do país”.

A título de exemplo, contou que certa vez teve de levar dinheiro ao Bié para socorrer uma actividade política do MPLA, uma vez que localmente o partido não tinha capacidade de responder a uma actividade que ocorreu dias antes, em que um partido na oposição galvanizou a população do Bié.

Hengombe também revelou àquele tribunal que o dinheiro era usado para suportar as atividades da Flec, porém, por impedimento do tribunal, não especificou quais dos braços da organização recebeu dinheiro da então casa de Segurança da Presidência.

O dinheiro serviu para pagar os militares dessa organização que foram desmobilizados no âmbito dos acordos de paz, revelou o coronel.

O oficial confirmou também que fundos foram usados para recrutar militantes da UNITA no Cuando Cubango para trabalharem como agentes de mobilização ao voto a favor do MPLA.

Hengombe garantiu que a Secretaria da Casa de Segurança no final das operações elaborava um relatório que remetia ao Ministério das Finanças e ao Tribunal de Contas.

Advogado satisfeito

Francisco Muteka, advogado do principal acusado neste julgamento Pedro Lussaty, disse que o julgamento está agora “em fase de produção de provas, estamos agora em fase de interrogatórios dos arguidos, já foram interrogados mais de cinco arguidos”.

Questionado se o processo corre célere Muteka, respondeu: “No processo penal não pode estar célere, porque a celeridade muitas vezes é incompatível com as garantias dos arguidos em sede do processo”.

“Portanto, deve-se aqui encontrar um equilíbrio no processo penal, não é para correr, está aqui em causa a liberdade das pessoas e as pessoas que se encontram presas preventivamente”, disse.

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