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Porta-voz da força da SADC em Moçambique alerta para complexidade do combate ao terrorismo


Tropas presentes na vila de Mocímboa da Praia, Cabo Delgado, Moçambique

Embaixador do Rwanda em Maputo anuncia morte de 100 terroristas e libertação de 350 pessoas, mas Governo de Maputo não confirma nem desmente

O terrorismo que desde de Outubro de 2017 deixou um rasto de devastação e morte na província moçambicana de Cabo Delgado pode estender-se a outros países da África Austral e sem combate pode levar muito tempo, além de que, no caso do norte de Moçambique, há vários factores que estão na origem desse fenómeno.

O alerta foi dado nesta segunda-feira, 8, pelo porta-voz da missão militar da África Austral em Moçambique, SAMIM nas suas siglas em inglês, numa intervenção por videoconferência no seminário “A intervenção estrangeira salvará Cabo Delgado?, organizado pelo Instituto de Estudos de Segurança (ISS) de Pretória, África do Sul, nesta segunda-feira, 8.

No evento, o embaixador do Rwanda em Maputo revelou que 100 terroristas já foram mortos e mais de 350 pessoas libertadas, enquanto o representante do ministro moçambicano da Defesa, Jaime Neto, o porta-voz da Defesa Nacional de Moçambique, Omar Saranga, não revelou quaisquer dados sobre o avanço no terreno.

"O terrorismo no norte de Moçambique pode alastrar-se a toda a região Austral se não for contido e resolvido", advertiu o porta-voz da SAMIM, Mpho Molomo, lembrando que "as guerras deste género demoram muito tempo e a reconstrução não é algo alcançável num curto espaço de tempo".

Molomo disse que, por agora, “a intervenção militar regional permitiu pacificar a região, mas é evidente que existe um elemento externo, porque alguns insurgentes são de fora, e também há a indicação clara de algumas manifestações locais".

Apesar dos ganhos, aquele responsável é de opinião que o sucesso na guerra passa por "várias abordagens", particularmente a reconstrução de Cabo Delgado, depois de quatro anos de insurgência que deixaram mais de 800 mil pessoas deslocadas e mais de três mil mortos.

"A situação humanitária é catastrófica e a acção das forças militares estrangeiras tem sido instrumental na estabilização da região de Cabo Delgado para se implementarem projectos de desenvolvimento social", assegurou o porta-voz da SAMIM, quem remeteu para os Governos da SADC a decisão de determinar o tempo de permanência das forças em Moçambique, embora tenha alertado que "as guerras deste género demoram muito tempo e a reconstrução não é algo alcançável num curto espaço de tempo".

Rwanda anuncia avanços

A força da SADC, integrada por militares da África do Sul, Botswana, Malawi, Tanzânia e Angola, chegou a Cabo Delgado em Julho para combater os terroristas em Cabo Delgado, tendo a operação iniciado a 9 de Agosto.

Também encontra-se no terreno um contingente de quase dois mil militares do Rwanda, que, segundo o embaixador de Kigali em Maputo, matou 100 terroristas, capturou alguns e resgatou pelo menos 350 civis.

"Os insurgentes foram repelidos de Mocímboa da Praia, Palma e Mueda, mais de 100 terroristas foram mortos e alguns capturados e pelo menos 350 civis foram resgatados, incluindo mulheres e crianças", afirmou Claude Nikobizanzwe, por videoconferência, no mesmo seminário do ISS.

O diplomata do Rwanda, que reiterou que as suas forças estão em Cabo Delgado a pedido do Governo de Maputo, revelou ainda que cerca de 50 mil deslocados internos foram reassentados em Palma e aldeias vizinhas.

Nikobizanzwe considerou que o grupo terrorista está numa "situação de enorme fragilidade", mas garantiu que será erradicado sem dizer quando.

Maputo não revela dados

Quanto aos termos do acordo entre os dois países para essa intervenção, ele remeteu a resposta ao Governo de Maputo.

Do lado moçambicano, no mesmo evento, o porta-voz da Defesa Nacional de Moçambique, Omar Saranga, não deu detalhes, nem dos acordos nem das baixas.

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