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Pompeo promete apoio a refugiados venezuelanos no Brasil em visita criticada pelo presidente do Congresso


Mike Pompeo, secretário de Estado americano

O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia, considerou uma afronta a visita do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, às instalações da Operação Acolhida em Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela, onde disse queo seu país vai “tirar” Nicolás Maduro da presidência da Venezuela.

Mike Pompeo reuniu-se na sexsta-feira, 18, com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com quem discutiu a situação dos refugiados venezuelanos no Brasil.

Ele também encontrou-se com uma família de venezuelanos que vive num local destinado a imigrantes daquele país e que se refugiou no Brasil para fugir à crise política, económica e humanitária na Venezuela.

Depois do encontro com o seu homólogo Ernesto Araújo, o secretário de Estado americano disse em conferência de imprensa que os refugiados venezuelanos "querem o que todos os seres humanos desejam, dignidade, eles querem uma Venezuela democrática, pacífica e soberana que possam chamar de lar, onde eles e seus filhos possam encontrar trabalho e viver com essa dignidade”.

“Nós, os Estados Unidos e o Brasil, vos apoiamos”, reiterou Mike Pompeo, acrescentando que embora ninguém possa prever quando Maduro deixará o cargo, "o dia chegará".

Apoio aos refugiados e crítica de Maia

O chefe da diplomacia americana também anunciou que o seu país doará 348 milhões de dólares para ajudar os refugiados venezuelanos, dos quais 30 milhões irão para o Brasil que acolhe cerca de 20 mil cidadãos daquele país.

Por seu lado, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, afirmou que o seu Governo “coordena com os Estados Unidos ações para que possamos dar uma vida melhor ao povo venezuelano".

Entretanto, o presidente do Congresso brasileiro criticou a deslocação de Pompeo.

“A visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”, afirmou Maia em comunicado no qual jusitificou que sentia-se na “obrigação” de destacar que a Constituição Federal prevê que o Brasil oriente suas relações internacionais pautado nos princípios de independência, da autodeterminação dos povos, da não-intervenção e da defesa da paz.

“O Barão do Rio Branco deixou-nos um legado de estabilidade nas nossas fronteiras e de convívio pacífico e respeitoso com nossos vizinhos na América do Sul. Semelhante herança deve ser preservada com zelo e atenção, uma vez que constitui um dos pilares da soberania nacional e verdadeiro esteio de nossa política de defesa”, afirmou Maia no documento.

Apoio a investimentos na Amazónia

Um nota do Departamento de Estado americano, que destaca as “fortes relações” entre o Brasil e os Estados Unidos, afirma que Washington apoia investimentos sustentáveis na Amazónia que protegem a biodiversidade enquanto promovem o crescimento económico.

“A USAID usa recursos do setor privado e da inovação para desenvolver parcerias com o Governo, o setor privado e a sociedade civil”, diz o comunicado que dá como exemplo, o “Fundo Althelia para a Biodiversidade, que procura arrecadar 100 milhões de dólares em investimentos principalmente privados para o crescimento na Amazónia que conserve a sua rica biodiversidade”.

O Departamento de Estado afirmou esperar que o Fórum de Presidentes de empresas EUA-Brasil, marcado para 28 de setembro será uma boa oportunidade “para produzir recomendações para ambos os Governos sobre como aprofundar o comércio e os investimentos bilaterais”.

Além do Brasil, Mike Pompeo esteve nos últimos dois na Colômbia, Suriname e Guiana.

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