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Polícia leva a tribunal 12 trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda por "sabotagem"


Nos confrontos, um dos trabalhadores teve mão amputada

Doze trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) serão presentes na terça-feira, 14, ao Tribunal de Luanda, depois de terem sido detidos pela polícia nesta segunda-feira, alegadamente por “actos de sabotagem” ao tentarem impedir a circulação de comboios.

O sindicato denuncia a acção da polícia e diz estar disponível para negociar apenas com o Governo, por não confiar na empresa.

Os confrontos aconteceram quando os trabalhadores encontraram o espaço da empresa vedado pela polícia, e ao se dirigirem para a passagem de nível “no Cazenga, onde foram detidos pela polícia”, revelou à VOA Silas José, secretário-geral da comissão sindical.

“Houve terror, situações muito difíceis”, acrescentou Silas, dizendo que serão presentes ao tribunal amanhã.

Entre os detidos, há três membros do sindicato e 12 trabalhadores foram feridos.

Entre os detidos há uma mulher e um trabalhador teve uma mão amputada.

"Um deles continua no hospital, por ter colocado a mão por baixo do comboio para desligar uma mangueira dos travões, numa altura em que o comboio tinha começado a marcha, o que fez com que a mão fosse amputada", disse à VOA uma fonte do Ministério do Interior.

Em greve desde 18 de Abril, os trabalhadores exigem um aumento salarialde cerca de 80 por cento além de mais 18 reivindicações.

Na sexta-feira, 10, a empresa anunciou a retomada para hoje dos serviços mínimos, tendo a polícia, segundo o sindicato, tentado levar os empregados a voltarem ao trabalho.

O braço de ferro continua e o sindicato, segundo o secretário-geral, não quer falar com a empresa “por falta de confiança depois de nos levado ao tribunal”.

“Não dá garantias de seriedade, de responsabilidade, de coerência, nós queremos negociar com o ministro dos Transportes”, asseguro Silvas José.

Em nota, a Delegação de Luanda do Ministério do Interior disse ter tomado conhecimento da ocupação das instalações das oficinas do Caminho de Ferro de Luanda (CFL), da inviabilização da execução dos serviços mínimos, de alguns actos de sabotagem ao longo da linha férrea de Luanda e do impedimento da marcha do comboio na zona do túnel do Cazenga”.

Ainda de acordo com o Ministério, os grevistas deitaram-se na linha férrea, o que obrigou a rápida intervenção policial, “com o intuito de repor a ordem e tranquilidade públicas”.

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