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Pequim faz "ofensiva" em Moçambique


Governo de Filipe Nyusi procura apoio da China em tempos de crise

Numa altura em que Moçambique parece estar a virar-se para Ásia, face ao corte da ajuda financeira internacional, a China quer ajudar Maputo a controlar a exploração de petróleo e gás na bacia do Rovuma, apostando, fundamentalmente, na formação profissional.

Pequim faz "ofensiva" em Moçambique
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A China deixou-se ultrapassar por empresas americanas e italianas no negócio de recursos energéticos em Moçambique.

Dados estatísticos apontam a China como sendo, actualmente, o maior financiador e construtor de infra-estruturas em Moçambique, para além de ser também o principal parceiro comercial e investidor estrangeiro no país.

Alguns analistas dizem que a China assume estas posições graças aos esforços que o Governo de Filipe Nyusi faz para que Pequim continue a prestar o seu apoio a Moçambique, face à crise económico-financeira em que se encontra mergulhado.

Nesse sentido, vários dirigentes chineses visitaram Moçambique nos últimos dias, entre os quais o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China e o vice-ministro da Agricultura.

O presidente do Parlamento chinês, Li Zhanshu, teve encontros nesta segunda-feira, 14, com o Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, e com a sua homóloga de Moçambique, Verónica Macamo.

Destaca-se ainda a visita do vice-presidente do grupo China National Petroleum Corporation, que no sábado, 12, assinou, em Maputo, com a Empresa Moçambicana de Hidrocarbonetos- ENH, um acordo sobre a formação de moçambicanos em empresas petrolíferas e de gás da China, em matérias de pesquisa, exploração e controlo destes recursos.

Para o presidente do Conselho de Administração da ENH, Omar Mithá, com este acordo, a China reforça a sua cooperação com Moçambique, e, nesse âmbito, "nós queremos formação ao nível da pesquisa e exploração de gás, de produção e distribuição de gás natural liquefeito (LNG, na sigla em inglês), e de construção e controlo de pipeline".

Refira-se que o Governo de Moçambique compilou uma lista de projectos em 13 áreas prioritárias e que fazem parte de um memorando de entendimento assinado em 2017, incluindo parques industriais, estradas, caminhos de ferro, portos, agricultura e exploração de recursos naturais e energéticos.

"Isso é sinal de que Maputo está a virar-se para a China, face ao corte dos apoios a Moçambique por alguns parceiros internacionais", comentou o economista Cardoso da Costa.

Alguns analistas dizem que a China tem grandes investimentos em muitos países africanos, mas não acontece o mesmo em Moçambique e sublinham que isso, talvez, faça parte da estratégia chinesa a longo prazo em relação a Moçambique.

O economista João Mosca diz que a China, que ainda não entrou como parceiro fundamental no negócio dos recursos energéticos em Moçambique, actualmente dominado por multinacionais americanas e italianas, mesmo que se junte à Índia ou Japão, não pode ser a solução para os problemas moçambicanos.

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