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Papa Francisco promete resposta dura da Igreja Católica contra abusos sexuais


Defensores de vítimas dizem que apenas repetiu promessas velhas

O papa Francisco comparou neste domingo, 24, a "praga" dos abusos sexuais de menores de idade com as práticas religiosas do passado de oferecer seres humanos em sacrifício, em seu discurso de encerramento na reunião sobre a pedofilia celebrada no Vaticano.

"Me traz à mente a cruel prática religiosa, difundida no passado em algumas culturas, de oferecer seres humanos - frequentemente crianças - como sacrifício nos rituais pagãos", disse o papa, depois de reiterar que a Igreja se compromete a combater este fenómeno com "a máxima seriedade".

No discurso de encerramento da cimeira de quatro dias que nos últimos quatro dias debateu o abuso sexual de crianças por parte de bispos e padres, Francisco reafirmou que “se na Igreja for descoberto um só caso de abuso - que em si mesmo já representa uma monstruosidade -, este caso será enfrentado com a máxima seriedade".

O pontífice acusou o abusador de ser "um instrumento de Satanás", antes de recordar que a Igreja está diante de uma manifestação do mal "descarada, destrutiva e agressiva".

Francisco citou as estatísticas a nível mundial e garantiu que a Igreja Catalíca compromete-se a aplicar as estratégias das organizações internacionais, incluindo a ONU e a Organização Mundial da Saúde, para erradicar a pedofilia.

"Não se pode, portanto, compreender o fenómeno dos abusos sexuais contra menores sem levar em consideração o poder, porquanto estes abusos são sempre a consequência do abuso de poder, aproveitando uma posição de inferioridade do indefeso abusado", afirmou o Papa.

Na sua longa intervenção, o líder católico lembrou que “o abuso de poder está presente em outras formas de abuso dos quais são vítimas quase 85 milhões de crianças, esquecidas por todos: os meninos soldados, os menores prostituídos, as crianças desnutridas, as crianças sequestradas e frequentemente vítimas do monstruoso comércio de órgãos humanos, ou também transformados em escravos, as crianças vítimas da guerra, os menores refugiados, as crianças abortadas e assim sucessivamente".

"Diante de tanta crueldade, diante de todo este sacrifício idolátrico de crianças ao deus do poder, do dinheiro, do orgulho, da soberba, não bastam meras explicações empíricas, estas não são capazes de nos fazer compreender a amplitude e a profundidade do drama", admitiu.

Em reacção ao discurso do Papa, defensores de vítimas expressaram a sua profunda decepção, dizendo que Francisco apenas repetiu velhas promessas e ofereceu poucas propostas concretas.

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