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Oferta russa para a venda de combustível deixa Moçambique em posição complicada


Nesta imagem de arquivo: Filas em bomba de gasolina, na capital moçambicana, Maputo. Moçambique, Janeiro 2017

Moçambique equaciona avançar para o mercado russo para a compra de combustíveis para alimentar as necessidades internas. A situação é considerada perigosa por alguns analistas, que recordam o compromisso do país com as Nações Unidas e com os parceiros ocidentais.

A possibilidade surge em torno de uma oferta que as autoridades de Moscovo já fizeram a Maputo, assegurando preços abaixo do que o mercado internacional oferece, estando o governo a ponderar sobre o assunto.

Oferta russa para a venda de combustível deixa Moçambique em posição complicada
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"Nós vamos verificar e avaliar a viabilidade dessa oferta e se houver viabilidade, com certeza que iremos considerar" disse o Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Carlos Zacarias, falando à imprensa sobre o assunto.

Ciente das sanções impostas aos combustíveis russos, Carlos Zacarias foi cauteloso e disse acreditar que haja uma aproximação de posições no conflito russo-ucraniano, que possa vir abrir espaço para que haja ponderação em torno do assunto.

O recurso ao rublo para as trocas comerciais e ao mercado russo para a aquisição do combustível já tem aval do sector privado, que em reunião com Alexander Surikov, alto representante de Kremlin em Maputo, fez vincar a sua posição de considerar o mercado russo como opção para aliviar a factura.

Equação complicada

Alguns sectores de opinião vaticinam choques com o ocidente, sobretudo nesta fase em que está de volta ao financiamento às contas públicas do país.

Gil Aníbal, analista e especialista em questões de petróleo, olha para a situação, como uma equação complicada para o país.

"Em termos diplomáticos, Moçambique está numa posição complicada. Por um lado, por causa da sua relação com a União Europeia e os Estados Unidos da América, e, por outro lado, por causa da sua posição como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas" disse o analista.

"Ainda que haja vantagens em termos financeiros, Moçambique deve estar alinhado com a posição das Nações Unidas, pelo que, neste momento, avançar para a oferta russa pode ser visto como uma violação e, por outro, entrar num mercado agora sancionado, seria como estando a actuar no mercado negro", salientou.

EUA salientam acção na Ucrânia

A reportagem da VOA em Maputo procurou ouvir o comentário da diplomacia norte-americana em Maputo em torno da questão.

Através de uma nota assinada pelo porta-voz da sua embaixada, Washington destaca a acção russa na Ucrânia, como prejudicial à paz e segurança mundial.

"A guerra de agressão de Putin e o bloqueio dos portos da Ucrânia já agravaram a escassez global de alimentos, combustível e outros bens essenciais. Esta guerra fez disparar os preços, desencadeou uma crescente insegurança alimentar, e comprometeu os ganhos de desenvolvimento em África e em todo o mundo" indica a nota.

"A invasão total da Ucrânia pela Rússia viola de forma flagrante o direito internacional e prejudica a ordem, a paz e a segurança mundial. As atrocidades cometidas pelas forças russas contra a população civil da Ucrânia demonstram o flagrante desrespeito da Rússia pelas normas e valores globais" conclui a embaixada norte-americana no seu comentário.

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