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O brutal Exército de Resistência do Senhor do Uganda: passado e presente


Memorial às vítimas do massacre de Lukodi, Uganda, pelo Exército da Resistência do Senhor (LRA)

Tribunal Penal Internacional, em Haia, declarou culpado Dominic Ongwen, de 45 anos, ex-comandante e ex-criança soldado do Exército da Resistencia do Senhor (LRA) de 61 crimes de guerra e contra a humanidade. Enfrenta possível prisão perpétua. Mas o que é o LRA?

Um dos grupos rebeldes mais antigos da África, o Exército de Resistência do Senhor (LRA) aterrorizou durante 35 anos várias áreas de diferentes países da África Central.

Os seus líderes são párias violentos e fugitivos da justiça internacional, que já foram capturados pelas forças especiais dos EUA e pelos exércitos africanos. O fundador Joseph Kony permanece à solta, mas outros comandantes importantes morreram ou entregaram-se, entre eles Dominic Ongwen, que foi considerado culpado na quinta-feira, 4 de Fevereiro, de crimes de guerra e crimes contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia.

O LRA e Museveni

O LRA começou como uma rebelião contra a tomada do Uganda pelo líder rebelde Yoweri Museveni em 1986, seguindo uma tradição de movimentos armados liderados por líderes espirituais entre o povo Acholi do norte.

Kony, um acólito católico, mostrou desde cedo uma inclinação para pronunciamentos místicos e brutalidade horrível. Ele alegou que iria libertar o Uganda de Museveni e estabelecer um estado governado de acordo com a sua própria versão dos 10 mandamentos.

Mais tarde, ele acrescentou um 11º, proibindo o uso de bicicletas com infractores punidos com a amputação. Quando os Acholi não abraçaram a sua rebelião, Kony voltou-se contra eles, atacando civis, sequestrando mulheres e crianças e massacrando vilas inteiras. O LRA tornou-se famoso pelos seus sequestros, com dezenas de milhares de sequestrados ao longo dos anos.

Histórias como as de Dominic Ongwen, que foi menino soldado, transformado depois em comandante do grupo rebelde inspiram filmes como "Beasts of no Nation", uma produção Netflix, protagonizada por Idris Elba.


O LRA e o TPI

Em 2005, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra cinco líderes importantes do LRA, incluindo Kony e Ongwen, acusando-os de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

A pressão da atenção do TPI contribuiu para que Kony participasse nas negociações de paz no ano seguinte, a primeira vez que ele apareceu em público em muitos anos.

No entanto, as negociações fracassaram e Kony levou os seus rebeldes de volta ao mato. Três dos cinco acusados do TPI morreram desde então.

Ongwen rendeu-se em Janeiro de 2015. Os mandados de 2005 foram os primeiros emitidos pelo tribunal e vieram depois do Uganda pedir ao TPI para investigar o caso do LRA. Em 2016, o julgamento de Ongwen foi o primeiro envolvendo o LRA.

O LRA e os EUA

Uma campanha organizada por activistas nos Estados Unidos levou o ex-Presidente Barack Obama a assinar uma lei em 2010 que permitia o envio de cerca de 100 soldados das forças especiais para trabalhar com exércitos regionais na caça a Kony.

Um dos grupos, Invisible Children, produziu um vídeo dois anos depois chamado "Kony 2012" que se tornou viral com 100 milhões de visualizações em questão de dias, aumentando a consciencialização sobre as actividades do grupo rebelde e do seu líder fugitivo.

O sucesso inesperado do vídeo - e as críticas vocais que também desencadeou - resultou no colapso muito público, e retumbante do fundador e testa do grupo, Jason Russell.

Isso, e o fracasso das suas hashtags em impedir Kony, significou que os clicktivistas americanos em grande parte perderam o interesse enquanto Kony e o LRA continuavam as suas depredações.

Em 2017, os militares dos EUA anunciaram que terminavam as operações contra o LRA, dizendo que fora "reduzido à irrelevância". No mesmo ano, o exército do Uganda começou a retirar as suas tropas da República Centro-Africana.

O LRA nos dias de hoje

Os rebeldes do LRA não são o que eram. Estima-se que sejam poucas centenas os grupos do LRA que estão dispersos em partes da República Democrática do Congo, República Centro-Africana, Sudão do Sul e Sudão.

Os EUA e a União Africana designaram o LRA como um grupo terrorista e Washington rotulou Kony de "terrorista global", embora a ameaça do LRA seja limitada e local.

A organização LRA Crisis Tracker diz que o grupo realizou 42 ataques no ano passado, deixando 31 mortos e sequestrando 192 pessoas, principalmente nas áreas remotas da fronteira RDC-RCA-Sudão do Sul. Isso representa uma redução de 48% nos ataques em comparação com o ano anterior.

(AFP)

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