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Nyusi tem bases para afirmar que a guerra em Cabo Delgado sustenta o ego das elites, dizem analistas


Filipe Nyusi e jovens militares em Montepuez, na Província de Cabo Delgado.

A instabilidade na província de Cabo Delgado continua a preocupar os moçambicanas, e o Presidente da República, Filipe Nyusi, dá indicações sobre quem poderá estar por detrás da insurgência naquela ponto do norte do país.

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“Os moçambicanos não tolerarão de forma repetida a chantagem da guerra cíclica movida por grupos de Indivíduos manipulados para sustentar o ego das elites internas e externas”, disse, recentemente, o presidente Filipe Nyusi.

Para Calton Cadeado e Muhamed Yassine, ambos professores de relações internacionais, com Nyusi endureceu a sua posição, mas ainda não foi concreto sobre a identificação dos autores dos ataques.

Cadeado diz que “não é a primeira vez que o presidente fala de atores internos (...) que estão a alimentar o conflito, mas desta vez a grande diferença é o tom”.

“Ele afinal de contas é um órgão, só pode ter dito isso com base no conhecimento trazido pelos serviços de segurança”, diz Yassine.

“Na semana que findou”, continua Yassine, “o Presidente da República disse que há elites militares que se beneficiam da guerra, que põem dinheiro nos bolsos como resultado da guerra; então vamos partir do princípio que o Presidente da República foi muito bem assessorado e já percebeu a dimensão real do problema de Cabo Delgado”.

Por seu turno, o jornalista Alexandre Chiúre diz que “na verdade ficou surpreendido com a declaração do Presidente da República, uma vez que “o que nós sabíamos era que os atacantes eram sem rosto, não se sabia quem eram eles”.

Na semana passada, a Organização das Nações Unidas associou os ataques ao tráfico de drogas que passa por aquela região, o que não é descartado pelos nossos analistas.

Yassine diz que a “fraca capacidade de proteção das fronteiras - o caso da fronteira aberta na região de Namoto entre Moçambique e a Tanzânia”, é um aspecto que pode contribuir para a região ser “um corredor apreciável para o tráfico de drogas”.

Para este analista é preciso prever dois pressupostos: “Moçambique tem que estar aberto para aceitar uma colaboração das Nações Unidas para o combate do tráfico de estupefacientes, que é uma lei que o país tem, mas nunca pediu a colaboração; e o passo que Moçambique deu ao nível da tróika da SADC, na qual pediu aos países da região para que ajudasse a combater o terrorismo”.

Calton enquadra a declaração das Nações Unidas nas “novas guerras da atualidade, que são uma mistura que envolvem o terrorismo, tráfico de drogas, crime organizado, ou seja muitas coisas que já não se consegue ver a fronteira onde começa uma coisa é onde termina a outra”.

“Se este relatório das Nações Unidas for robusto podemos enquadrar o que está acontecer em Cabo Delgado na teoria de Novas Guerras, de Mary Kaldor”.

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