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Noventa mil crianças em risco de perder lanche nas escolas de Maputo


Crianças em Moçambique

Cerca de 90 mil crianças desfavorecidas da província moçambicana de Maputo vão deixar de beneficiar do lanche escolar fornecido pela organização não governamental ADPP Moçambique, o que poderá ter como consequência o aumento da desistência escolar dos alunos por causa da fome.

A ADPP Moçambique anunciou que a partir de Setembro próximo vai deixar de fornecer lanche escolar a alunos de 250 escolas dos distritos de Matutuíne, Manhiça, Moamba e Magude.

O projecto de alimentação escolar denominado "Comida para o Saber" visa melhorar o desempenho académico, a retenção dos alunos nas escolas, a nutrição e a saúde em geral de um total de 90 mil crianças em idade escolar, através da distribuição diária de refeições, e é financiado pelo Governo norte-americano.

O lanche vem sendo fornecido desde 2013, num esforço para combater os altos índices de desnutrição e a desistência escolar dos alunos por causa da fome, em distritos expostos à insegurança alimentar.

O coordenador do Lanche Escolar na ADPP Moçambique, Isaías Waty, sem avançar as razões da interrupção do projecto, diz ser necessário que as autoridades governamentais encontrem formas de dar continuidade ao projeto, através, por exemplo, do aproveitamento das condições de ativos estabelecidos pela organização na componente agrícola.

Waty afirmou que para a produção de alimentos a ADPP Moçambique tem motobombas com capacidade para irrigar 50 hectares, que podem ser alocados a empresários.

"Este projeto não pode fechar, tem um grande impacto nas zonas rurais, onde muitas das crianças lá residentes são desfavorecidas", defende, por seu lado, o professor Clávio Manuel.

Entretanto, a diretora nacional de Nutrição e Saúde Escolar no Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano, Arlinda Chiquisse, diz que o setor já está a trabalhar no sentido de minimizar o impacto da suspensão do lanche escolar pela ADPP Moçambique, mas assume que uma das consequências vai ser a desistência escolar dos alunos.

Chiquisse realça que "se a escola vinha oferecendo lanche ao longo desses anos todos, e de repente pára de administrá-lo, significa que vamos ter algumas desistências".

O professor Gervásio Nhantumbo, da escola primária de Mapulanguene, no distrito de Magude, afirma que antes da introdução do lanche escolar, algumas turmas que haviam arrancado com 70 ou 80 crianças chegaram a funcionar com 10 ou 15 alunos porque os restantes desistiram por causa da fome.

"Espero que não voltemos a ter essas situações porque será um retrocesso", considera aquele professor, notando que Magude é um distrito siclicamente afetado pela seca e estiagem.

Refira-se que uma outra iniciativa de lanche escolar está a ser implementada também pelo Programa Mundial de Alimentação em 11 escolas da província de Gaza, a braços com graves situações de insegurança alimentar por causa da seca.

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