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Números da recuperação do activo desviado do erário em Angola abaixo da meta estimada


Paulo Alves, director nacional do Gabinete Jurídico e Intercâmbio da IGAE, Angola

IGAE diz estar a 30 por cento da conclusão do processo em empresários nacionais sentem-se ultrapassados na corrida às privatizações do imobiliário

A Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) em Angola anunciou na quarta-feira, 15, a recuperação de 70% dos activos desviados do erário, sabendo-se que os números oficiais apontam para 5,3 mil milhões de dólares norte-americanos.

O valor está , entretanto, muito abaixo dos valores citados em diversos círculos da sociedade angolana.

Num recente seminário sobre corrupção, o director nacional do Gabinete Jurídico e Intercâmbio da IGAE, Paulo Alves, apresentou um balanço do trabalho desenvolvido na recuperação dos activos.

“A IGAE trabalha na vertente prevenção e a PGR na repressão. Falando em concreto da grande corrupção, da recuperação de activos, a IGAE tem estado acima de 70 por cento desta recuperação e , portanto, a Procuradoria vai trabalhar na vertente penal”, assinala o responsável.

Os 5,3 mil milhões de dólares recuperados, em dinheiro e imobiliário, foram revelados pelo Procurador-geral da República, Hélder Pitta Gróz, e pela ministra das Finanças, Vera Daves.

Quanto ao montante desviado, o Presidente João Lourenço dizia há dois anos que o valor determinado era de 24 mil milhões de dólares norte-americanos.

Entretanto, recentemente, o líder do principal partido da oposição, UNITA, lembrou os valores referidos como tendo sido acumulados durante os anos da alta do petróleo.

"As academias dizem-nos que o país conseguiu mais de 600 mil milhões de dólares em reservas internacionais e por aí fora...", lembrou Adalberto Costa Júnior.

Números à parte, o presidente da Associação Industrial Angolana, José Severino, assinala que o trabalho da IGAE e da PGR pede um fundo que permita potenciar os angolanos na luta pelas privatizações.

“Não estamos a ter acesso, está tudo a ficar nas mãos dos estrangeiros, os angolanos só estão a apanhar boleia. Falta um fundo de capitalização do empresariado nacional, que não pode passar só pelo Estado”, diz o industrial, lembrando que “os bancos cobram juros de 25%, por isso só se candidatam os que têm dinheiro, aqueles que estão fora, não investem cá”.

A AIA lembra que o repatriamento dos lucros dos empresários estrangeiros vai implicar despesas públicas.

Severino foi abordado pela VOA a propósito de declarações proferidas no seminário sobre “experiência africana de combate à corrupção”, uma iniciativa do Porto do Lobito.

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