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"Nós não somos criminosos", dizem médicos impedidos de marchar em Maputo contra raptos


Avenida 25 de Setembro, Maputo. Moçambique

Autoridades municipais alegam que a marcha podia ser uma fonte de propagação da Covid-19

A onda de raptos que abala a sociedade moçambicana levou a Associação Moçambicana de Médicos a organizar uma marcha, entretanto impedida pelas autoridades policiais e do Município de Maputo que se escusaram a falar dos motivos.

Dos três cidadãos moçambicanos raptados nos últimos dias, um deles é o médico Basit Gani, facto que levou a associação profissional a organizar esta acção de repúdio.

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Milton Tatia, presidente da Associação Médica, não compreende as razões deste impedimento.

“O Município alega que a marcha pode constituir uma fonte de propagação da Covid-19, mas nós informamos que estaríamos todos de máscara, iríamos respeitar o distanciamento, iríamos ter álcool para desinfecção, mas mesmo assim foi indeferido”, conta Milton Tatia para quem esta atitude “parece muito estranha, pois se os dirigentes que nós elegemos não conseguem estar sensíveis a um assunto como este a gente pergunta quando é que estarão sensíveis” .

A marcha prevista para sábado foi impedida por um forte contingente policial, o que para o bastonário da Ordem dos Médicos, Gilberto Manhiça, é incompreensível.

“Nós não somos criminosos, não vejo qual é a contextualização de trazer um grupo de homens armados para conter a manifestação dos médicos que apenas manifestam o seu desagrado pelo facto do seu colega ter sido raptado, portanto é completamente despropositado”, questiona Gilberto Manhiça

Basit Gani é vice-presidente da Associação Moçambicana de Empresários e Empreendedores Muçulmanos, que juntou a sua voz ao repúdio a este crime.

“Esta é uma questão que nos apoquenta, nos transtorna de todas as formas, chegamos a um extremo em que é preciso dizer chega”, sulinha Muhammad Abdullah, daquela organização.

O responsável pelo pelouro de segurança da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Pedro Baltazar, diz que no âmbito da sua contribuição, já foram entregues aos Ministérios da Defesa Nacional e do Ministério do Interior o resultado do inquérito feito com outros empresários, incluindo os sequestrados, concedendo informações privilegiadas e sugestões para o combate dos sequestros.

“Nós queremos resultados das investigações que vêm sendo feitas, queremos ver mudanças de como as autoridades com o fenómenos dos raptos, notamos as bastas vezes que temos uma polícia musculada, nós pugnamos por uma polícia inteligente, apetrechada a chamada polícia científica, com meios idóneos para combater esta questão dos raptos”, afirma Pedro Baltazar.

ACTA afirma estar ao dispor do Governo para apoiar no combate aos raptos no país.

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