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Multas, taxas e burocracia irritam empresários angolanos


Luanda

E dizem que a situação torna o país menos competitivo.

Os empresários angolanos estão preocupados em encontrar soluções para os problemas resultantes da crise económica em Angola e lamentam que apesar dos seus esforços o Estado continua a pôr sobre eles a sua “mão pesada” com multas, altas taxas de juros e elevado nível de burocracia na concessão de créditos.

Francisco Viana, Presidente da Confederação Empresarial de Angola, refere que são muitos os empresários que prestam serviços ao Estado, porém este, apesar de ser uma entidade de bem, não cumpre com as suas obrigações financeiras.

Multas, taxas e burocracia irritam empresários angolanos
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“O empresário não pode continuar a prestar serviços ao Estado e não receber”, reclama o empresário para quem os elevados juros têm sido empecilhos para a busca de instrumentos com capacidade de financiar a economia angolana.

Esta situação, diz ele, torna o país pouco competitivo.

Viana julga ser dever dos empresários angolanos não abandonar o Executivo na nobre tarefa de diversificação e recuperação da economia nacional, “porque não há mal que sempre dure”.

O antigo Primeiro-ministro da República de Angola, Lopo do Nascimento, diz-se surpreendido com a falta de união entre os empresários angolanos, porém lamenta que o país continua a ser caracterizado por um mau ambiente de negócios e que algumas políticas do Executivo são contrárias à necessidade de crescimento dos empresários nacionais.

Aquele nacionalista cita como exemplo “o modo como concebido, gerido e implementado o programa de um milhão de casas em que perdemos a oportunidade de desenvolver a indústria de materiais de construção e as empresas de construção”.

Lopo do Nascimentos sublinhou, a título de exemplo, vários paradoxos, com os quais o país se debate no que respeita a agro-indústria. “Temos no interior do país uma situação quase que incompreensível: agricultura não se desenvolve por que não há comércio e o comércio não atrai ninguém por que não há produção agrícola”.

A situação que, na visão do ex-governante angolano, deve-se ao facto de quem devia investir esperar por um projecto estatal que permita o acesso aos créditos.

Para o Presidente da Confederação Nacional Empresarial de Angola, projectos para investimentos existem, o que falta na verdade são recursos humanos.

Francisco Viana apela neste sentido, o Estado angolano a adoptar políticas de imigração e facilitação de vistos semelhantes a de países do primeiro, mundo sensíveis a entrada de força de trabalho com capacidade para ajudar o Estado a desenvolver.

A este respeito, Lopo do Nascimento entende que não se pode pensar em sustentabilidade se o país continuar a depender de factores externos seja de recursos humanos ou matérias-primas. “Não se pode a construir Angola com base a realidades que não sejam angolanas”.

O ex-governante diz que a cooperação económica regional é fundamental para um futuro melhor de Angola. “As recentes medidas tomadas pelos países da região, nos quais se inclui o nosso país, indicam o caminho a seguir no futuro e se os angolanos não se prepararem para este futuro, o país não poderá fazer defesa para concorrência que está a chegar”.

As dificuldades da produção nacional são reconhecidas pelo Estado angolano que junto do grupo de empresários está a trabalhar para melhorar o quadro.

“O nosso ponto de partida, como todos sabemos é difícil. A produção nacional encontra-se num ponto ainda de fase de estagnação. Estamos a desenvolver de forma conjunta com os empresários esforços para reverter as estatísticas”, assegurou o Secretário de Estado da Economia, Sérgio Santos.

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