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Morreu Onésimo Silveira, político, poeta e diplomata cabo-verdiano


Onésimo Silveira, político, diplomata e escritor cabo-verdiano

Da clandestinidade da luta pela independência ao combate pela democracia no arquipélago, publicou vários livros e foi um convicto defensor da regionalização do país

Morreu o político, poeta e intelectual cabo-verdiano Onésimo Silveira, nesta quinta-feira, 30, aos 86 anos de idade, em Mindelo.

Desde cedo engajou-se na luta pela independência de Cabo Verde, na clandestinidade, e depois na diplomacia do PAIGC, partido que dirigiu a luta pela independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Onésimo Silveira distinguiu-se pela diplomacia, mas também na literatura como poeta e ensaista.

Natural da ilha de São Vicente, onde nasceu em 1935, estudou em Uppsala, na Suécia durante a década de 1960, depois de ter passado um período na China.

Em 1976, doutorou-se em Ciências Políticas, pela Universidade de Uppsala (Suécia), altura em que já se tinha desentendido com o PAIGC, então no poder em Cabo Verde, e passou a ser um dos críticos do regime de partido único.

Nesse exílio, e como cidadão sueco foi diplomata pelas Nações Unidas, em Nova Iorque, antes de representar a organização em Angola, Moçambique e Somália, entre outros países.

Silveira recebeu o reconhecimento de Nélson Mandela, devido ao trabalho que realizou para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados na Somália, ao receber refugiados sul-africanos e namibianos.

Com a abertura política em 1990, instalou-se definitivamente no país e trabalhou arduamente na campanha para as primeiras eleições democráticas de 1991, ao lado do Movimento para a Democracia (MpD), partido que venceu as eleições e do qual também se distanciou profundamente mais tarde.

Nas primeiras eleições autárquicas de 1992, foi eleito presidente da Câmara Municipal de São Vicente e mais tarde criou o Partido do Trabalho e da Solidariedade, com o qual concorreu a eleições, sem resultados positivos.

Foi deputado e candidato à Presidência.

Além de um profundo defensor da democracia, advogou pela regionalização do arquipélago, como ferramento contra o centralismo do poder na capital do país.

Em 2002, com o PAICV (herdeiro do PAIGC) no poder, é nomeado embaixador do país em Portugal, que terá sido seu último cargo público.

Em 2015 recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Mindelo, em Cabo Verde.

Na obra do jornalista e escritor José Vicente Lopes, "Onésimo Silveira – uma vida, um mar de histórias", ele afirmou: “Tive uma vida plena, cheia, de que muito me orgulho. Não sou nem arrependido, nem desiludido da política, ainda que o futuro de Cabo Verde e da minha ilha em particular me preocupe bastante. Graças à política tive uma vida que poucos em Cabo Verde podem apresentar. A haver um julgamento da História, eu estou pronto para esse julgamento, porque um homem como eu não pode temer um tal julgamento”.

Escritor profícuo, publicou em 1960 “Toda a gente fala; sim, senhor”, a primeira obra e à qual se seguiram várias outras como “Hora grande; poesia caboverdiana (1962), “Consciencializac̦ão na literatura caboverdiana” (1963), “Africa South of the Sahara: Party Systems and Ideologies of Socialism” (1976), “A saga das as-secas e das graças de nossenhor (1991) , “A tortura em nome do partido único: o PAICV e a sua polícia política” (1992),“Contribuição para a construção da democracia em Cabo Verde”, (1994), “Poemas do tempo de trevas: Saga (poesia inédita e dispersa) Hora grande (reedição em 2008), entre muitas outras obras.

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