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Moçambique: Mudanças de lideranças no Parlamento reflectem novos tempos


Assembleia da República

Mudanças profundas foram operadas ao nível das chefias das bancadas e da própria liderança da Assembleia da República, cujos deputados foram investidos na segunda-feira, 13.

Moçambique: Mudanças de lideranças no Parlamento reflectem novos tempos
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Na opinião de alguns analistas, relativamente à Frelimo, as mudanças traduzem os problemas que Filipe Nyusi enfrentou o ano passado, com a liderança do Parlamento a constituir uma força de bloqueio ao diálogo com a Renamo.

Ao nível do partido Frelimo, Margarida Talapa foi substituida por Sérgio Pantie na chefia da bancada parlamentar, e Verónica Macamo foi substituida por Esperança Bias na liderança da Assembleia da República.

Para o analista Fernando Lima, relativamente à Frelimo, estas mudanças têm a ver "com os problemas que o Presidente da República enfrentou, no ano passado, com a liderança do Parlamento a constituir uma força de bloqueio em relação às coisas que ele pretendia, nomeadamente, o diálogo com a Renamo e o pacote de descentralização".

Em meios políticos afirma-se que "deve ter acontecido algo que as pessoas não sabem, porque relativamente a Talapa, esperava-se que ela fosse "premiada" por ter ajudado a Frelimo a recuperar Nampula, uma província cujo eleitorado tinha virado as costas a este partido, votando sempre na oposição".

Margarida Talapa foi a chefe da brigada central da Frelimo afecta à província de Nampula durante a campanha para as eleições legislativas, presidenciais e das assembleias provinciais de 15 de Outubro.

Fonte partidária asseverou que "foi o activismo de Margarida Talapa que fez com que a Frelimo desse a volta por cima aos maus resultados que o Partido vinha obtendo em pleitos eleitorais, em Nampula".

Em relação a Verónica Macamo, afirma-se que, em privado, ela já vinha denotando alguma falta de interesse em voltar a liderar o Parlamento, aparentemente com a pretensão de sair pela porta grande da chamada casa do povo.

"E ela saiu pela porta grande", considerou fonte diplomática.

Quanto à Renamo, as mudanças correspondem à dinâmica de haver um novo líder partidário, que acha que Ivone Soares não é pessoa da sua confiança.

Fernando Lima disse que "Ossufo Momade pôs uma pessoa da sua confiança na chefia da bancada parlamentar da Renamo, uma vez que os líderes das bancadas têm que merecer a confiança dos chefes partidários".

Solicitada a comentar a mudança na bancada da Renamo, fonte política afirmou que "claramente, Ivone Soares não é da confiança de Ossufo Momade. Durante a campanha, eu não a vi ao lado de Ossufo Momade; não estou a dizer que não esteve, eu não a vi."

Mas ao nível da Renamo, o que se diz é que "o Presidente Ossufo Momade não exclui ninguém. Em qualquer partido político há mudanças".

Entretanto, o analista Alexandre Chiure considera que a qualidade dos deputados que entraram na Assembleia da República vai fazer com que os "debates sejam mais qualitativos, diferentemente dos da anterior legislatura, caracterizados por insultos e acusações".

"Com estas mudanças e a entrada de novos deputados, teremos debates bastante interessantes", destacou Alexandre Chiure.

Dércio Alfazema entende que a entrada de deputados como Tomás Salomão, economista e antigo secretário executivo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), Carlos Agostinho do Rosário, também economista e ex-primeiro-ministro e cinco antigos ministros do Governo da Frelimo, entre outros, "fará com que os debates sejam mais progressistas".

Alfazema afirmou ainda que do lado da Renamo também "temos deputados com muita qualidade, por exemplo, o jovem Arnaldo Chalaua, Alberto Ferreira e Elias Dhlakama. Eu penso que com a qualidade destes deputados vamos ter um Parlamento que vai trazer contribuições progressistas para o país".

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