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Moçambique: Fosso salarial pode abrir cenários de revoltas populares


Metical, moeda de Moçambique

Analsitas alertam para a necesidade de melhores políticas de redistribuição da riqueza

O elevado custo de vida e as profundas desigualdades sociais podem levar a uma situação de conflito com consequências imprevisíveis fora daquilo que é a grande agenda moçambicana de desenvolvimento com políticas públicas e económicas mais redistribuitivas.

A opinião é de analistas e surge depois de informações postas a circular de que o Governo moçambicano teria aprovado uma nova tabela salarial para dirigentes superiores do Estado, na qual o Presidente da República, por exemplo, teria um salário base de 400 mil meticais, sendo que o mesmo, com subsídios, atingiria os 800 mil meticais.

Moçambique: Fosso salarial pode abrir cenários de revoltas populares
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O ministro das Finanças, Adriano Maleiane, desmentiu a informação, analsitas alertam para os desníveis gritantes entre os dirigentes superiores do Estado, incluíndo ministros e directores nacionais que têm subsídios para combustível e outras mordomias, e a grande maioria dos cidadãos que não os têm.

E quando há aumentos salariais, os dirigentes superiores do Estado é que ficam” com a parte do leão".

"É preciso encontrarmos as melhores políticas de redistribuição da riqueza porque apesar da violência armada em Cabo Delgado e no centro do país, e agora da Covid-19, os nossos níveis de crescimento têm sido razoáveis", considera o analista Lucas Ubisse.

A mesma opinião tem o sociólogo João Colaço, para quem a maioria dos moçambicanos não sente os efeitos desse crescimento, "e neste momento, há cada vez mais moçambicanos a perder a esperança de que podem ter uma vida melhor, e eu penso que as bases sociais para possíveis conflitos estão lá criadas" .

Cenários de revoltas populares

Colaço diz que os vários cenários de revoltas populares ao nível de África "podem reflectir esse mal-estar social profundo, do ponto de vista sociológico, a violência pode ser resposta a dificuldades por parte de grupos sociais subalternos ou em condições sociais deploráveis".

Por seu turno, Tomás Uamusse recorda que foi, em parte, devido à falta de esperança que residentes em bairros periféricos da cidade de Maputo saíram à rua, em Setembro de 2010, numa manifestação caracterizada, em alguns casos, por actos de vandalismo.

Uamusse sublinha que "as pessoas não suportaram o elevado custo de vida porque os salários da maioria dos moçambicanos eram e ainda são baixos, diferentemente dos de dirigentes superiores do Estado, e esta é a situação que se regista neste momento em Moçambique".

Para António Timba, quadro sénior da Renamo, na oposição, "tem que haver mudanças no sistema de governação, que permitam que os sindicatos funcionem sem interferência do poder político".

No seu entender, durante as discussões sobre assuntos laborais, principalmente os que dizem respeito à fixação de salário mínimo, os sindicatos não defendem os interesses dos trabalhadores, " e é por isso que temos sindicalistas que são nomeados governadores provinciais e ministros".

José Domingos Manuel, secretário-geral do Movimento Democrático de Moçambique (MDM)alerta para o facto de que o elevado custo de vida possa obrigar as pessoas mais desfavorecidas a agirem de forma menos correcta, como aconteceu em 2010 "porque, na verdade, a situação é deveras preocupante, uma vez que para muitos trabalhadores, o salário nem chega para a cesta básica".

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