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Ministro angolano afirma que "caso IURD" não tem qualquer implicação político-diplomática


Templo da Igreja Universal, Benguela

O ministro angolano da Justiça e dos Direitos Humanos considerou hoje que o conflito entre pastores angolanos e brasileiros da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), apesar da sua exposição pública, não se enquadra num problema político-diplomático e que o mesmo deve ser resolvido pela justiça.

"Esta intervenção pública, político-diplomática não se ajusta de modo nenhum ao problema que existe", afirmou Francisco Queiroz num encontro com jornalistas após um encontro no Parlamento entre o Governo e deputados, que foram informados sobre o processo.

Queiroz destacou que “despropositadamente começou-se também a colocar o problema em termos políticos e diplomáticos e aí tem a ver com a soberania e o Estado está capaz de defender essa soberania", mas reiterou que o assunto trata-se de "um problema interno, que gerou uma crise, é um problema que tem implicações legais”.

Neste momento, segundo o ministro, estão em instrução preparatória dois processos, um de denúncia de bispos angolanos sobre práticas que indiciam crimes e outro introduzido por bispos brasileiros contra sacerdotes angolanos que também indiciam crimes.

"Estes processos estão em curso, o SIC interveio para fazer a instrução dos processos, um deles já está na PGR (Procuradoria-Geral da República) e o outro será remetido também para a PGR, para que haja os procedimentos legais estabelecidos para estas matérias", revelou Francisco Queiroz, lembrando que o Governo deve esperar que a justiça faça o seu trabalho.

"No momento em que as leis angolanas estejam a ser desrespeitadas, de uma ou de outra forma, o Estado tem o dever de intervir para repor a legalidade, de restabelecer a ordem e tranquilidade pública", advertiu no entanto o governante.

Questionado se este caso poder perigar as relações entre Angola e Brasil, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos foi peremptório em destacar que “são relações sólidas que vão continuar cada vez mais”.

Desde 2016, as relações entre pastores angolanos e brasileiros da IURD, a maior igreja evangélica em Angola, tem sido marcadas por acusações de ambas partes.

Há pouco mais de um mês, pastores angolanos tomaram tempos em Luanda, Benguela, Malanje e Huambo e denunciaram práticas alegadamente criminosas da liderança brasileira, que respondeu dizendo que os angolanos tinham assumido práticas inaceitáveis numa organização cristã.

No meio do conflito, que tem estado a ganhar repercussão, o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro escreveu ao seu homólogo angolano a pedir proteção aos pastores brasileiros e suas propriedades.

A imprensa diz que Lourenço respondeu a informar que a justiça saberá dar o devido tratamento ao assunto.

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