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Ministério do Interior de Angola condena "barbaridade" que levou à morte de um soldado na RDC


Província do Kasai, República Democrática do Congo

A delegação do Ministério do Interior de Angola na província da Lunda Norte condenou “veementemente” a morte de um soldado no domingo, 5, no Estado do Kasai, na República Democrática do Congo (RDC).

Em nota divulgada nesta segunda-feira, 7, a delegação “manifesta profunda indignação pela tamanha barbaridade cometida pelas Forças Armadas da República Democrática do Congo”.

De acordo com a autoridade angolana, o incidente aconteceu "no posto fronteiriço Tchitundo/RDCongo de correspondência com o posto de Nachiri/Lunda-Norte, município de Chitato”.

A mesma fonte revelou que os agentes estavam “oficialmente em missão de serviço ao longo da fronteira, a bordo de uma motorizada” quando se depararam com um “acampamento ocupado por indivíduos trajados a civil e com grandes quantidades de combustível armazenado em bidões”.

Os dois agentes da PGF estavam “convencidos de que se tratava de um grupo de contrabandistas de combustível e mercadorias no interior” de Angola e que, por isso, tentaram fotografá-los.

“Os soldados das FARDC, aproximadamente 20 elementos, decidiram prendê-los e, estes, na vã tentativa de fuga, foram alvos de disparos de arma de fogo, tendo resultado na morte de um agente e a escapatória de outro, que se apresentou horas depois na Subunidade da PGF/Chitato”, descreveu o Ministério do Interior.

Versão congolesa

Entretanto, ontem, o ministro do Interior da província de Kasai, Deller Kawino, disse à AFP que “um soldado angolano disparou e feriu um agente congolês da Agência Nacional de Inteligência (ANR), os nossos homens devolveram o fogo e atingiram um soldado angolano que infelizmente morreu”.

O ministro acrescentou que antes do incidente, um grupo de soldados angolanos havia entrado no território congolês numa área de três quilómetros e um deles começou a filmar com o celular até receber ordens dos soldados da RDC para parar.

O governador daquela província, Dieudonné Pieme, revelou que as autoridades angolanas pediram o corpo do soldado "que foi morto acidentalmente”.

“Concordamos em princípio, mas pedimos que fizessem um relatório a reconhecer que o seu soldado foi morto no território da RDC”, afirmou Pieme.

Na nota, a delegação do Ministério do Interior de Angola na província da Lunda Norte lembrou que “o acordo definido no passado dia 10 de junho do ano em curso faz apelo ao não emprego de armas de fogo entre as forças, seja quais fossem as razões, tendo em conta a falta de sinais visíveis de delimitação da fronteira comum”.

A RDC e Angola compartilham uma fronteira de mais de 2.500 quilómetros, além da fronteira com a província angolana de Cabinda entre a RDC e o Congo Brazzaville.

Na semana passada, ativistas e o deputado da UNITA Raul Tati denunciaram a incursão de soldados angolanos em território congolês na perseguição a guerrilheiros da FLEC-FAC, que lutam pela independência de Cabinda.

A propria organização independentista tem denunciado esta situação.

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