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Teatro: Mindelo vê-se ao espelho na "Cidade do Café"


Ensaio da obra de teatro "Cidade do Café", Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, Cabo Verde

Uma obra, parte de uma trilogia sobre São Vicente, que tem a matriz identitária da ilha

A ressureição de um morto é o ponto de partida para a mais recente produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, “Cidade do Café”, a segunda peça de uma trilogia que tem tudo para deixar uma marca nas artes cénicas de Cabo Verde.

“Cidade do Café”, com texto do cronista Rocca Vera-Cruz e encenação e direcção artística de João Branco, é uma comédia sobre a Cidade do Mindelo, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, que, assim, vai-se “ver ao espelho”, a partir desta sexta-feira, 25, no Centro Cutural de São Vicente.

Teatro: Mindelo vê-se ao espelho na "Cidade do Café" - 20:00
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A procura foi tanta que os bilhetes esgotaram-se há muito e a organização teve de criar uma quarta função.

Tudo, no entanto, começou em 2018, quando Rocca Vera-Cruz que, pouco tempo antes, chamou a atenção do país para as suas despretenciosas crónicas sobre o dia-a-dia de São Vicente, uma ilha urbe, com a capital Mindelo, onde acontece de tudo, foi convidado pelo director artístico do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, João Branco, a escrever um texto em homenagem às mulheres e homens fazedores de teatro.

Rocca Vera-Cruz, autor, Cabo Verde
Rocca Vera-Cruz, autor, Cabo Verde

Nascia então, “Crónicas de Mindelo”, que subiu ao palco em Março de 2018, com um rotundo sucesso.

“Depois disso, eu e o João Branco, estivemos a falar e chegamos à conclusão que não seria bom que as pessoas não soubessem mais dos personagens de “Crónicas de Mindelo” e decidimos fazer esta trilogia”, conta Rocca Vera-Cruz que, no entanto, deparou-se com um problema.

A peça termina com um protagonista a fingir-se de morto para não pagar a uma prostituta e, então, “como ressucitar o homem para entrar na “Cidade do Café?”

“Como ele falsificou a assinatura de um cheque, não passou no controlo do banco e, como ele não pagou o ´café´, a peça desonrola-se”, conta Vera-Cruz, que recorre a esse termo ´café`, atribuído ao pagamento por sexo em São Vicente.

A peça, no entanto, passeia-se por vários assuntos, com ênfase particular na política.

“Fala muito de política, de uma candidatura à Camara Municipal de São Vicente, vamos misturar política com muitos ´cafés´ (risos), uma radiografia politíca da Cidade do Mindelo, é uma peça muito mais caústica e sarcástica que a anterior”, promete Rocca Vera-Cruz, convidado do programa Artes, da VOA.

João Branco, encenador, actor e produtor cultural, Cabo Verde
João Branco, encenador, actor e produtor cultural, Cabo Verde

Rir da desgraça, o melhor remédio

O encenador e director artístico João Branco acredita que São Vicente vai-se rever na “Cidade do Café”, ja que “o mindelense tem a capacidade até de rir da sua desgraça”.

Para ele a peça tem a matriz identitária de São Vicente, com três grandes notas.

“Fala de política, somos um povo engajado na política, eleições, para o bem e para o mal, tem uma eleição para a Câmara Municipal de São Vicente, tem o Carnaval, aqui é algo muito mais presente, porque tivemos dois anos sem poder fazer o Carnaval e agora fazemos uma homenagem ao Carnaval do Mindelo, e apresenta os diferentes níveis de prostituição e muitos pequenos acontecimentos urbanos”, descreve o encenador.

Ainda, "aborda a forma ou de que maneira vendendo a alma ao diabo se escala na pirâmide social, para pagar a propina da universidade ou conseguir um papel para ir para o exterior”.

No palco, explica João Branco, estarão nove personagens e muita música ao vivo, em particular duas coladeiras da autoria do nome maior desse género musicial cabo-verdiano, Manuel d´Novas, com a coordenação do filho Néu Lopes, um samba do compositor e homem do Carnaval JC, um grupo de dança em homenagem aos muitos grupos que estão a ensair pela cidade e uma batucada ao vivo.

“Cidade do Café” está repleta de humor o que, para o encenador da obra, é muito bom depois de dois anos de pandemia e num momento de guerra.

“Vamos ter uma espécie de catarse, não só pelas caracteristas da peça, mas também pela vontade que as pessoas têm de se divertir um pouco”, conclui João Branco.

A terceira peça da trilogia, “Revolução Leolpoldina”, em referência ao primeiro nome de Mindelo, deve estar pronta no início de 2023.

As obras irão ser também publicadas em livro pelo Centro Cultural Português do Mindelo.

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