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Mia Couto regressa em contos com “O caçador de elefantes invisíveis”


Mia Couto na apresentação da sua obra, “O caçador de elefantes invisíveis”, 13 de Outubro de 2021

“O caçador de elefantes invisíveis” é o mais recente título do escritor moçambicano Mia Couto e marca o seu regresso aos contos.

A obra foi lançadas na quarta-feira, 14, na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo.

O novo livro surgiu a partir das crónicas publicadas por Couto durante mais de dois anos na revista portuguesa “Visão”.

O escritor fez uma selecção e reescreveu-as na forma de contos, retratando vários momentos do dia-a-dia dos moçambicanos, sem se furtar a comentar alguns temas que marcam a actualidade do país.

Do processo de retrabalhar as pequenas prosas resultou marcantes narrativas que cobrem a actualidade do nosso mundo e vão desde a pandemia ao drama da guerra em Cabo Delgado, a descrever peripécias que poderiam ter acontecido numa vila, no interior de uma reserva florestal ou num bairro qualquer de Moçambique.

A solidão vivida por Mia Couto durante a pandemia também o inspirou na produção desta obra literária.

No lançamento da obra, ele explicou que ela é dedicada “às pessoas que me fazem pensar que Moçambique é feito de pequenas histórias, de gente que não quer ficar na invisibilidade, que, todos os dias, quando têm de ir para casa, entram num my love, num chapa e correm o risco de não ter outro destino se não for essa invisibilidade. Portanto, as histórias são feitas para render esse espaço de visibilidade a essas pessoas”.

Os jornalistas Elcídio Pila e José dos Remédios, que apresentaram a obra, destacaram que os 26 contos que integram o livro de 172 páginas inscrevem-se no modo poético com que Mia Couto habituou os leitores a olhar o mundo e a humanidade,

“Estamos a falar da pandemia, da situação de Cabo Delgado, destas marchas de destruição de estatuas que se acredita que serviram a um determinado momento e que já não é o momento que nós estamos a viver, nesta ideia de reposição de heróis e de condenação do passado vivido. É o Mia a apontar a ideia de que sim, talvez seja possível pegar a realidade em flagrante”, sublinhou Pila.

A ilustração da capa é da autoria de Susa Monteiro, a mesma que ilustrou os contos originais na revista "Visão".

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