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Marcolino Moco recusa novos cargos públicos se for para "tecer loas ao chefe"


Marcolino Moco, antigo primeiro-ministro e secretário-geral do MPLA

Antigo primeiro-ministro angolano conta ter tomado conhecimento da sua exoneração da Sonangol pela televisão

O antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco revelou numa rede social que não aceitará nenhum outro cargo público se for para ficar calado ou para tecer loas ao chefe.

Este posicionamento do também antigo secretário-geral do MPLA publicado na sua página no Facebook na quinta-feira, 25, surge depois dele ter sido exonerado do cargo de administrador não executivo da Sonangol.

“No que me diz respeito, aproveito para informar, solenemente, para a tristeza, por certo, de muitos próximos, que nunca mais aceitarei (como aliás o fiz durante os últimos muitos anos do Presedente Dos Santos) cargos que afinal só servem para ficarmos calados, quando não para tecer loas "à chefia" (onde está o fim do bajulação?), mesmo perante irregularidades tão evidentes, que frenam a consolidação da pretendida estabilização política, económica, social e cultural do nosso país”, escreve Moco.

O antigo primeiro-ministro, que foi “repescado” por João Lourenço depois de ter estado afastado da vida pública durante os últimos anos do consultado de José Eduardo dos Santos, comenta a forma como soube da sua exoneração, pela televisão.

“Vejo o inacreditável no telejornal da TPA; mais ou menos assim: Presidente da República remodela CA da Sonangol; decretos: exonera tal....tal ... e tal executivos e Marcolino José Carlos Moco, não executivo”, revela o também jurista que, no entanto, acrescenta que há “males que vêm por bem”.

No post com muito humor à mistura, Marcolino Moco diz ter sido “avisado”, mas, claro, não formalmente.

“Se fui avisado? Sim fui, em certa medida. A primeira vez, aí por volta de fins do primeiro semestre do ano passado, por um alto funcionário da Sonangol – aqui importantíssimo esclarecer que não se tratou de nenhum membro do CA, dos quais guardo a lembrança de tão belas jornadas, em franca camaradagem e respeito mútuo – mas de quem não esperaria tal intermediação, para me admoestar, com todo aquele pequeno respeito, que eu deixasse de referir que estava desiludido com a governação do Presidente João Lourenço”, conta Moco, que ainda aponta um segundo aviso após ter-se referido num post ao “regresso aos métodos autoritários”.

“Aqui a coisa foi já um pouco mais sinistra porque veio de uma mensagem privada em FB, “assinada” por um, certamente heterónimo, que depois se retirou. Este que perguntava se apesar de toda a dinheirama e mordomias eu ainda não me sentia acomodado”, continu Moco, quem considera curioso que dias antes “tinham sido atribuidos, especificamente aos administradores não executivos da Sonangol, salários muito bem longe da realidade, por fofocas dentro e fora das ´redes”.

O antigo primeiro-ministro considera ainda que só pessoas de má vontade poderão afirmar que não quis colaborar com o Presidente e que “só gente maldosa continuará a conclamar que me vendi por uma tijela de lentilhas”.

E conclui com uma referência a João Lourenço: “o meu coração continua aberto, sem qualquer tipo de mágoa, para com o camarada João Lorenço que conheço (não tão parecido com o actual Presidente da República) e para todos os outros actores políticos e sociais, dentro de uma verdadeira agenda de aprofundamento da nossa reconciliação nacional, a todos os níveis”.

Marcolino Moco foi nomeado administrador não executivo da petrolífera angolana em Janeiro de 2018 e foi exonerado no passado dia 19 pelo Presidente da República.

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