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Manifestação contra fábrica de fertilizantes vai repudiar silêncio do governador de Benguela


Omunga promete levar milhares às ruas no dia 17

A organização cívica ‘’Omunga’’ vai celebrar os 402 anos da cidade de Benguela, no próximo dia 17, com uma marcha contra a construção de uma fábrica de adubos e fertilizantes numa área residencial com mais de sessenta mil moradores expostos a elementos tóxicos.

Inserida na campanha denominada ‘’Não à Desgraça na Graça’’, o bairro onde se ergue a infra-estrutura, ao lado de uma universidade com centenas de estudantes, a marcha surge para criticar o silêncio do Governo Provincial, quando a ministra da Indústria, Bernarda Martins, decide a suspensão das obras

Três dias depois da manifestação, a 20 de Maio, os promotores entregam uma nota de protesto com várias subscrições ao governador provincial, Rui Falcão, de quem exigem explicações por um projecto que chegou a ser embargado em Dezembro de 2018.

Movida pelo parecer de ambientalistas que descortinam problemas de saúde para a população, a ‘’Omunga’’, de acordo com o seu director executivo, José Patrocínio, espera que a decisão da ministra não seja desrespeitada, nem que para isso entrem em cena os tribunais.

‘’Se a ministra diz que a obra não deve continuar, que há orientações para que o senhor governador, possivelmente, arranje um outro local … é estranho que não esteja a cumprir. Obviamente que pode surgir uma ordem nesse sentido (judicial), até porque o embargo decorreu de denúncias. Mas vamos começar por aqui, pensando outros caminhos para depois’’, adianta o activista.

Patrocínio acredita que a fábrica delineada para apoiar a agricultura vá para uma zona industrial, mas adverte que é preciso atenção aos processos.

‘’Que seja participativo, transparente e que tenha um estudo de impacto ambiental. É preciso o parecer das comunidades’’, sugere Patrocínio.

Agora em silêncio, remetendo jornalistas para o sector do Ambiente, a Administração Municipal de Benguela, entidade que concedeu o terreno para uma superfície comercial, embargou a obra, em Dezembro de 2018, seis meses depois, devido a alterações que colidem com o plano director do município, conforme avança uma fonte do Governo Provincial.

O ruído faz eco no Grupo Parlamentar da Unita, tendo o líder, o deputado Adalberto Costa Júnior, deixado conselhos às autoridades locais, após ter abordado o assunto com a universidade Jean Piaget.

‘’Recebemos manifestações de cidadãos contrários à abertura de uma fábrica que produzirá adubos por processos completamente químicos. Aconselho as administrações a não fazerem opções políticas sobre esta questão, devem munir-se de estudos ambientais adequados e tomarem decisões que salvaguardem interesses das populações e preservem a saúde publica’’, alerta o político.

A VOA apurou que a obra é de empresários estrangeiros, sobretudo indianos, associados a altas figuras do regime angolano.

A ‘’Omunga’’, observador africano dos direitos dos povos, informa que a marcha terá início na praça da Unta-Confederação Sindical, passará por várias artérias da cidade e terminará no bairro da Graça, arredores da cidade.

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