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Malária mata em Benguela enquanto atenções prevalecem na Covid-19


Três crianças com malária na mesma cama ilustram um aumento de casos no Chongoroi, município da província angolana de Benguela a registar várias mortes, fazendo soar o alarme face a eventuais distrações das autoridades sanitárias por conta do combate à Covid-19.

Na senda de um apelo feito pelo Papa Francisco, a Pastoral de Saúde da Diocese de Benguela alerta que o agudizar da situação coincide com a luta contra a pandemia, quando a ministra Sílvia Lutucuta assegura que o setor tenciona aumentar a capacidade de tratamento.

A braços com um cenário de pobreza nas suas aldeias, sem água, saneamento básico e alimentos, vários cidadãos percorrem quilómetros até ao hospital municipal do Chongoroi, que pouco ou nada faz porque não tem medicamentos.

O movimento diário, visível há dois meses, é descrito à VOA pela cidadã Adília Singue, à saída da maior unidade sanitária do município.

‘’O mais agravante é que os caos são dos quimbos, com pessoas vulneráveis, sem condições. Há pacientes que, para além do quarten, só recebem papel, têm de comprar tudo. Houve fome, em Janeiro, e as pessoas venderam os seus bens, agora com essa malária… não sei, há muita morte aqui’’, descreve a cidadã.

Pastoral de Saúde da Diocese de Benguela fala em desinvestimento
Pastoral de Saúde da Diocese de Benguela fala em desinvestimento

Preocupada com sinais de distrações face à atenção ao novo coronavírus, na senda do apelo do Papa Francisco em nome da ‘’ameaça em numerosos países’’, a Diocese de Benguela alerta que o quadro é bem mais desolador.

O responsável pela Pastoral de Saúde, padre José Mombo, assinala que os números da malária na província de Benguela estão a ser compilados.

‘’A situação agudizou-se, é mesmo essa a palavra. Provavelmente haja um desinvestimento, esquecimento nessa hora. Também porque as pessoas são desaconselhadas a ir ao hospital, fazem tratamento caseiro sem resultados’’, salienta Mombo.

Entretanto, o coordenador do programa provincial de luta contra a doença, Augusto Cacope, assume que o ideal seria uma forte aposta na prevenção, mas avança que nem para isso há medicamentos.

‘’Saí ontem e deixei 46 crianças internadas. Realmente temos duas e três crianças numa cama e, às vezes, outras estendem no chão. Por isso precisamos de produtos para prevenção, se não os tivermos, mesmo com fármacos, não estamos a fazer nada’’, salienta aquele técnico.

Na conferência de imprensa em que falou do 26º. caso de covid-19 em Angola, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, fez saber que a malária impõe aumento da capacidade de diagnóstico e tratamento, assinalando que o quadro atual é melhor do que se verificou nos últimos três anos.

Dados oficiais apontam para mais de 25 mil mortes provocadas pela doença em 2017 e 2018.

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