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Mais de 100 escolas livres de "violência" em Manica


Projecto contra violência nas escolas, Manica, Moçambique

Alunos eram alvo de castigos corporais, bullying e outros abusos por parte dos professores

Professores de 115 escolas primárias de quatro distritos da província de Manica deixaram de mandar as alunas comprar cigarros e bebidas em plena aula, ou usar castigo corporal e atribuir nomes pejorativos a alunos com fraco aproveitamento pedagógico após três anos de implementação de um programa intensivo para travar a violência nas escolas moçambicanas.

A situação vinha sendo muito criticada.

Desde 2019 uma iniciativa da organização humanitária Save The Children capacitou professores a abandonarem o uso de métodos pouco convencionais no ensino e a tornar as escolas em lugares agradáveis para os alunos e, assim, reduzir a taxa de desistências devido a maus tratos.

“Isso ajudou até na aprendizagem dos alunos” que já não aparecem com medo de algum tipo de violência na sala de aula, segundo Américo Semente, um professor primário no distrito de Manica, interior da província moçambicana com o mesmo nome.

Também em declarações à VOA, Teresa Faife, diretora da Escola Primária de Messica, admitiu que trato menos adequado aos alunos era comum nas salas de aulas e até situações em que professores interrompiam um aluno para mandar comprar cigarros num mercado próximo para este fumar durante a aula.

“Já não estamos no patamar de violências, porque antes aconteciam alguns actos de violações dos direitos da criança”, acrescentou Teresa Faife, quem considerou essa mudança um ganho maior para a escola.

Ao declarar Escola Livre de Violação dos Direitos da Criança, a organização não governamental Save The Children, virada a defesa e preservação dos direitos da criança, espera uma contínua mudança dos professores na abordagem dos alunos.

“Muitas crianças historicamente faltam à escola quando sabem que ‘hoje tenho aula com aquele professor’, que é violento ou que me puxa orelhas, ou que vai me chamar nomes”, afirmou Ana Dulce Guizado, directora da Save The Children em Manica.

“O grande desafio é que muitos dos professores que estão a lecionar até se orgulham de que ‘eu aprendi porque o meu professor cada vez que eu errava dava-me 20 ou 30 tareias, então eu aprendi, vulgarmente como se diz na marra’, então nós não queremos isso”, enfatizou Guizado.

Aquela responsável disse que a estratégia está igualmente a ser implementada nas comunidades, para retrair os pais a usarem métodos de castigo corporal para repreender as crianças.

“Isso é um contraste, porque temos uma criança que na escola aprende modos pacíficos de resolução de conflitos e quando vai para casa encontra métodos violentos” para a resolução dos problemas, frisou Ana Dulce Guizado, insistindo que para sua eficácia a iniciativa deve ser implementada em paralelo, nas escolas e comunidades.

Entretanto, para Jorge Mapulanze, encarregado de educação, a estratégia precisa ser bem compreendida para não “deformar as crianças” no seu processo de aprendizagem, e garantir que “enquanto estudam, vão preservar a moral e continuar a respeitar, tanto o professor como os seus pais”, sem manipulações em nome dos direitos humanos.

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