Links de Acesso

Lourenço afasta direcção da Epal em meio à crise de água e greve de trabalhadores


Luanda sofre com crise de água

O Presidente angolano, João Lourenço, exonerou nesta segunda-feira, 20, o Conselho de Administração da Empresa Pública de Águas (EPAL-EP), que enfrenta uma greve de trabalhadores há mais de dois meses e que tem colocado em causa o fornecimento de água à capital, Luanda.

Na nota da Casa Civil da Presidência, o decreto não fala nos motivos que levaram Lourenço a afastar o Conselho e a manter apenas dois dos administradores.

Diógenes Orsini Flores Diogo foi substituído, na presidência por Fernando João Cunha, e também foram afastados os administradores executivos Pedro Manuel Sebastião, Ana Eduarda Assis de Almeida e Adão Manuel da Silva, bem como o administrador não executivo Domingos António Candeia.

Os novos administradores são Alberto Miguel Manuel, Ângelo Sebastião Filipe e Kubikiladia Bernardete Garcia, e como administradora não executiva Celeste de Jesus Sequeira Bragança.

De acordo com a mesma nota, Manuel Silva Lopes da Cruz (administrador executivo) e Armando João (administrador não executivo) mantêm-se nos respectivos cargos.

A greve

A decisão de João Lourenço acontece no meio de uma greve protagonizada pelos trabalhadores que exigem um aumento salarial de 200 por cento, aumento do subsídio de alimentação e transporte, seguro de saúde para os trabalhadores e os membros do seu agregado familiar.

Há poucas semanas o director dos Recursos Humanos da EPAL, Domingos Januário, disse , que a empresa mantinha a posição de reajustar o salário apenas em 36 por cento, contra os 200 por cento exigidos pelos grevistas.

O aparente recuo da direcção da EPAL surge depois de o sindicato ter anunciado que iria retirar o pessoal que garantia os serviços mínimos de abastecimento de água dos centros de tratamento e distribuição.

Má qualidade da água

A medida, que pode aumentar as restrções de abastecimento da água, foi justificada à VOA pelo porta-voz dos grevistas, Bernardo Tungo, com a necessidade de “proteger os trabalhadores das constantes ameaças e da pressão psicológica a que estão ser vítimas” por parte da entidade patronal e Polícia.

Na semana passada, João Lourenço exonerou José Filipe da Silva do cargo de secretário de Estado das Águas, no meio da crescente contestação popular sobre a má qualidade da água para consumo na capital angolana.

Observadores ligaram a medida com a situação na EPAL.

Um dia antes, a Associação Angolana dos Direitos do Consumidor (AADIC) exigiu a exoneração da direcção da empresa, a quem acusou de cometer crime de envenenamento ao distribuir água imprópria para consumo humano.

Fórum Facebook

XS
SM
MD
LG