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Juiz não impede publicação do livro do ex-Conselheiro Nacional de Segurança de Trump


A capa do livro de John Bolton
A capa do livro de John Bolton

O juiz Royce Lamberth recusou dar provimento aopedido do Governo americano para impedir a venda de um livro do ex-Conselho de Segurança Nacional da Administração, John Bolton, no qual faz fortes acusações contra o Presidente.

Ao pedir o bloqueio da obra “The Room Where It Happened: A White House Memoir" (em tradução livre "A Sala Onde Aconteceu: Uma Memória da Casa Branca"), a Casa Branca alegou que a mesma contém informações sigilosas que ameaçam a segurança nacional.

No livro, em que afirma que o Presidente pediu ajuda ao seu homólogo da China para vencer a reeleição, Bolton e a editora negaram a acusação.

"Embora a conduta unilateral de Bolton levante sérias preocupações de segurança nacional, o Governo não provou que uma liminar é um remédio apropriado", justificou o Royce Lamberth, acrecentando que "Bolton apostou com a segurança nacional dos Estados Unidose eexpôs o país a danos e a si próprio a responsabilidade civil”, mas que o pedido chegou tarde.

"Com centenas de milhares de cópias em todo o mundo - muitas nas redações dos jornais - o estrago está feito", concluiu Lamberth.

Em reação no Twitter, o Presidente Donald Trump acusou novamente John Bolton de divulgar informações sigilosas.

"Ele deve pagar um preço muito alto por isso, como outros já o fizeram", declarou Trump, sublinhando que “isso nunca deve acontecer novamente!!!"

O livro de Bolton chamou atenção pelo retrato sombrio de Trump e como conduziu a política externa.

Entre outras afirmações, a obra, que será publicada na terça-feira, 23,o conhecido “falcão” da política externa americana e ex-embaixador junto das Nações Unidas,escreveu que Trump pediu ao Presidente chinês, Xi Jinping, ajuda na eleição deste ano, além de detalhar supostas impropriedades não abordadas no julgamento de impeachment de Trump.

O advogado do ex-Conselheiro, Chuck Cooper, disse que Bolton trabalhou durante meses com especialistas para evitar a publicação de informações consideradas secretas, acusando a Casa Branca de utilizar a segurança nacional como pretexto para censurar o livro.

John Bolton trata em profundidade o chamado caso ucraniano, em que Trump pediu ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para investigar a família do rival e ex-vice-Presidente Joe Biden, o que levou a um processo de destituição no Congresso, de que a maioria republicana no Senado acabou por o absolver, em fevereiro último.

A editora, Simon e Schuster, afirmou em um comunicado que o livro de Bolton detalha também as negociações de Trump com China, Rússia, , Coreia do Norte, Irão, Reino Unido, França e Alemanha.

Bolton foi demitido em setembro de 2019, após 17 meses como Conselheiro de Segurança Nacional.

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