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Jorge Fonseca: Do "ippon" ao cancro ao pódio em Tóquio 2020


Jorge Fonseca, judoca português

Atleta conquistou primeira medalha para Portugal na prova

O judoca português Jorge Fonseca conquistou nesta quinta-feira, 29, a medalha de bronze em judo, na categoria de menos 100 quilos, a primeira para Portugal nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

O ponto de alto de uma carreira que começou em São Tomé e Príncipe e passou por um muito muito difícil: um cancro nos ossos.

Nascido a 30 de Outubro de 1992, Fonseca chegou a Portugal com 11 anos, com a mãe, para que pudesse continuar os estudos.

Como muitos imigrantes, foi morar num bairro pobre, na Damaia, onde além de estudar, jogava à bola, mas "mas não tinha jeito nenhum" como disse em várias entrevistas.

Foi então, por ser forte e não ter medo, que começou a praticar judo numa escola seduzido pelos combates de Pedro Soares, que hoje é seu treinador no Sporting.

"O Pedro Soares dava aulas na escola da Damaia. Eu ia olhando pela janela para ver como era, no dia a seguir voltava... Fui começando a gostar. Ainda não era assim nada de especial, mas pedi autorização à minha mãe e fui experimentar. Sabes, eu não era assim, era um bocado gordinho... Comecei a investir no trabalho do meu corpo para ser um grande judoca", recordou em tempos, ao portal Observador, o também bicampeão do mundo de judo na categoria -100 kg.

Demorou pouco a impor-se no tatami e em 2013 deu mostras de poder fazer carreira no judo, ao ser campeão de sub-23.

De seguida, foi o primeiro atleta masculino português a alcançar o título de Campeão da Europa de sub-23.

"Sem muita responsabilidade", ele foi pai aos 17 anos e teve de começar a trabalhar num restaurante a “arrumar copos” para ajudar a mãe a pagar os gastos.

Entretanto, continuava a somar vitórias e, em pouco tempo, passaria a ser um profissional do judo.

Mas, em 2015, já de olho nos Jogos Olímpicos Rio 2016, a notícia não podia ser pior.

Nos Jogos Europeus de 2015, em Baku, ele passou a ser alvo da brincadeira dos jogos por ter um pequeno inchaço na virilha que, no entanto, provocava-lhe caimbras e alguma fraqueza.

O diagnóstico foi conclusivo: ele sofria de um osteossarcoma, um tumor ósseo maligno.

“Toda a gente estava triste, eu e o Pedro chorávamos e ele (médico) veio de lá e disse: ‘Ouve lá ó preto, tu vais superar essa doença e tu vais ser o maior. Já te arranjei os melhores médicos, não te preocupes, daqui as seis meses tu vais estar bem’“, contou em entrevista ao jornal “Expresso”.

Durante quatro meses passou por quimioterapia, embora o tempo determinado pelos médicos fossem seis, mas nunca parou de treinar, visando o Rio de Janeiro.

“Cheguei a ir treinar doente. Na altura dos tratamentos ficava arrasado, mas quando estava com o meu filho ganhava força”, lembrou o agora medalha de bronze.

"Foi complicado, porque quando fazia os tratamentos estava sempre maldisposto, de cara trancada, e tinha ali ao meu lado o meu filho que me fazia rir. Cheguei a ir treinar doente. Na altura dos tratamentos ficava arrasado, mas quando estava com ele ganhava força", desabafou o atleta ao jornal Sporting.

No mês passado, Jorge Fonseca venceu o sérvio Aleksandar Kukolj e revalidou o título mundial na categoria de -100kg.

Após o combate com o qual ganhou o bronze em Tóquio 2020, depois de perder o passaporte à final devido a caimbra numa mão, Jorge Fonseca projectou o seu próximo ippon: “Sou bicampeão do mundo, eu trabalho para o ouro, não para o bronze. Vou trabalhar para o ouro em Paris”.

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