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João Lourenço diz que Angola deixará de dar petróleo como garantia de empréstimo


Economista diz que decisão foi do FMI

O Presidente angolano disse em entrevista à agência noticiosa russa TASS que o país vai deixar de oferecer petróleo como garantia das linhas de crédito negociadas com outros Estados, nomeadamente a China, Brasil e Israel.

Esta posição, no entanto, é uma recomendação do Fundo Monetário Internacional (FMI), de acordo com o economista e director do jornal Expansão, Carlos Rosado de Carvalho.

Há especialistas que apontam outros recursos a serem explorados.

"O volume [de aprovisionamento de petróleo] tem sido elevado nos últimos anos porque Angola negociou créditos com a China para a construção de estradas, pontes e outras infraestruturas", afirmou João Lourenço na entrevista, na qual assinalou que os anteriores acordos assinados com a China estão desactualizados e que o seu Governo quer alterá-los.

Lourenço acrescentou que quer “deixar de fazer este tipo de pagamentos” e avisou que “vamos deixar de usar o petróleo como principal garantia para as dívidas".

O economista e director do jornal Expansão, Carlos Rosado de Carvalho, afirma que esta posição do Presidente angolano foi recomendada pelo FMI.

Carlos Rosado de Carvalho defende boa governação
Carlos Rosado de Carvalho defende boa governação

“Aquilo que o Presidente disse em rigor não é o Presidente que está a dizer, quem mandou dizer foi o Fundo Monetário Internacional porque no acordo que fizemos com o FMI comprometemos que não íamos contrair mais dividas com garantias de petróleo”, revelou Rosado de Carvalho, para quem "basta uma boa governação para que Angola tenha empréstimos de outros países sem qualquer garantia”.

Outras formas, outros recursos

Por seu lado, o economista Horácio Rodrigues aponta outra forma de negociar garantias das linhas de créditos, com outros recursos como “ouro, peixe diamante, terras, entre outros”.

Rodrigues diz não acreditar que com os impostos das áreas sociais, comerciais e industriais Angola consiga pagar as dívidas.

A China é o maior financiador estrangeiro de infraestruturas em Angola, num total de 22,4 mil milhões de dólares, segundo a base de dados da Fitch, e o financiamento chinês foi fundamental para o progresso de grandes projetos de infraestruturas, como o novo Aeroporto de Luanda, a central hidroeléctrica de Caculo Cabaça e a reconstrução dos Caminhos-de-Ferro de Benguela.

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