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Jacob Zuma e o jogo do "gato e do rato"


Representantes legais do estado sul-africano e do ex-presidente Jacob Zuma (arquivo)

O ex-presidente da África do Sul, Jacob Zuma, não comparecerá a um painel judicial que investiga o suposto caso de corrupção durante o seu mandato, disse o seu advogado nesta sexta-feira, apesar de um pedido judicial que o obrigava a testemunhar.

Zuma, de 78 anos, tem vindo a brincar ao gato e ao rato com a comissão desde que ela foi criada em 2018 para investigar a pilhagem dos cofres do estado durante os seus nove anos de mandato.

O ex-líder só testemunhou perante o painel uma vez, em Julho de 2019, mas desistiu depois de alguns dias, dizendo que estava a ser tratado como um "réu" e não como testemunha. Ele reapareceu brevemente perante a comissão em novembro para exigir que o seu presidente, o vice-presidente da justiça Raymond Zondo, se recusasse.

Os exasperados painelistas emitiram uma nova citação a partir de 18 de janeiro e entraram com um pedido urgente no Tribunal Constitucional para obrigá-lo a obedecer. Mas o advogado de Zuma, Eric Mabuza, disse na sexta-feira à AFP que o ex-presidente não aparecerá na próxima semana.

Em mensagem no WhatsApp, Mabuza explicou que o seu cliente aguardava a resposta do Tribunal Constitucional ao pedido da comissão. E espera também o resultado de um pedido de anulação da recusa de Zondo em se recusar do processo.

Não ficou imediatamente claro se isso afectaria os procedimentos da próxima semana.

Zuma, que se tornou presidente em 2009, foi forçado a renunciar em 2018 por causa de escândalos de corrupção envolvendo uma família de empresários indianos, os Guptas - que ganharam contratos lucrativos com empresas estatais e supostamente podiam escolher ministros de gabinete. Ele foi sucedido pelo presidente Cyril Ramaphosa, que jurou enfrentar o "flagelo" da corrupção.

A chamada comissão de captura de estado foi criada para ouvir depoimentos de ministros, ex-ministros, funcionários do governo e executivos sobre suposta corrupção durante o mandato de Zuma. Até agora, pelo menos 30 testemunhas implicaram directa e indirectamente o ex-líder. Na última convocação, Zuma foi chamado para testemunhar de 18 a 22 de Janeiro e novamente de 15 a 19 de Fevereiro. Zuma também faz face a julgamento por supostamente ter recebido suborno em um negócio de armas de vários biliões de randes em 1999, quando era vice-presidente. Esse julgamento está agora programado para retomar em Fevereiro, após vários adiamentos.

(AFP)

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