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Irene Neto: "O massacre judicial e mediático sobre a minha família é uma vingança mesquinha”


Irene Neto, filha do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto

“Acabou o silêncio dos inocentes”, é como Irene Neto, esposa do empresário angolano Carlos São Vicente, detido preventivamente por suspeita de crimes de peculato e lavagem de capitais, termina um comunicado que ela intitula como sendo “das vítimas de um massacre judicial e mediático”.

A filha do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto, aponta as suas baterias às autoridades que, segundo ela, “têm o dever de proteger o segredo de justiça”, mas, pelo contrário, “alimentam um circo mediático que representam o julgamento e condenação de Carlos São Vicente na praça pública”.

“O massacre judicial e mediático sobre a minha família e, particularmente, a minha pessoa, representa, sem qualquer dúvida, uma intolerável interferência do Poder Político no Poder Judicial e é também uma vingança mesquinha desnecessária”, acusa Irene Neto, para quem tal massacre “chegou ao ponto de, no meio de todas as baixezas, anunciarem que me afastei do meu marido ou dele me divorciei”.

“Estamos mais unidos do que nunca e sofremos ambos os mesmos desgostos”, sublinha Neto, quem realça que o marido “é um cidadão honrado e cumpridor das leis angolanas” e que “está preso injustamente”.

No comunicado ela lembra que São Vicente criou empresas no setor financeiro, do turismo e no imobiliário, “que tem gerido sempre no respeito pelas normas em vigor em Angola e no mercado internacional”.

Sobre a prisão, Irene Neto diz que “até este momento ele não foi acusado de nada” e que o marido “está a ser vítima de um julgamento mediático criado artificialmente e alimentado por setores bem identificados”.

“A prisão preventiva do cidadão Carlos de São Vicente é, de fato, o cumprimento de uma pena sentenciada no tribunal populista, presidido por agentes do Ministério Público”, continua Neto.

A filha de Agostinho Neto vai mais longe e responsabiliza “os titulares dos órgãos de soberania implicados neste massacre, por tudo o que acontecer ao meu marido, Carlos de São Vicente, na prisão de Viana”.

Ela reconhece que no Poder Judicial em Angola “há muitos magistrados decentes e cientes dos seus deveres enquanto titulares dos órgãos de soberania, que são os tribunais” e diz esperar que “corrijam as inconstitucionalidades de que está eivado este processo.

Na nota que assina como médica e “membro do Bureau Político do MPLA”, Neto lamenta “que, até agora, nem uma palavra tenha recebido de apoio e solidariedade dos meus camaradas, tirando honrosas excepções” e destaca: “Sou uma militante e dirigente honrada, uma cidadã angolana que sempre deu o seu melhor pelo partido e pela Pátria angolana”.

“Este silêncio não dignifica o maior partido histórico de Angola”, reforça.

A médica revela que tem as contas bancárias e está “sem meios para prover as despesas quotidianas” e questiona a prisão preventiva do marido se ele tem todos os bens confiscados, “até a casa da família”, e o passaporte caducado.

“Ele não pode praticar qualquer atividade delitiva”, garante Irene Neto, que conclui: “Estar em liberdade ou, pelo absurdo, em prisão domiciliar, não causa qualquer alarme social, portanto, libertem-no imediatamente”.

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