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Investigação implica empresário Álvaro Sobrinho num desvio de milhões de dólares em Angola


Alvaro Sobrinho CEO BESA Angola

O empresário angolano Álvaro Sobrinho, que está a ser investigado em Portugal pelo desvio de milhões de dólares do Banco Espírito Santo Angola (BESA) que dirigia em Luanda, aparece agora ligado em novos documentos e testemunhas a um esquema que terá desviado centenas de milhões de dólares de um financiamento governamental para a construção de habitações sociais, que nunca saiu do papel.

A organização de jornalistas de investigação Projecto de Reporte sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP, na sigla em inglês), revela num relatório publicado no seu site que o director de uma companhia que recebeu uma linha de crédito de 750 milhões de dólares para a construção de habitações sociais disse que Sobrinho e seus associados retiraram parte desse crédito através de um esquema que envolveu companhias offshore.

A mesma fonte acrescenta que uma investigação dos Serviços de Inteligência de Angola indica que o dinheiro desse projecto foi desviado por figuras poderosas do país, mas cujos nomes não revela.

Documentos de bancos analisados por jornalistas indicam, no entanto, que o dinheiro que deveria ter sido entregue ao construtor foi movimentado através do Banco Espírito Santo Angola, mas nunca foi enviado à companhia.

Na altura em que se procurava financiar o projecto de habitações, Sobrinho abriu contas no banco Credit Suisse num valor superior a de 78 milhões de francos suíços, mais de 72 milhões de dólares ao câmbio de então, revela a OCCRP que acrescenta que o empresário possuía um total de 12 contas no Credit Suisse.

A OCCRP indica que uma companhia financeira envolvida na linha de crédito escreveu ao então Presidente angolano José Eduardo dos Santos para se queixar que o BESA estava a administrar mal os fundos, mas a carta alega que funcionários do banco tentaram convencer a companhia a depositar o valor total do projecto, 750 milhões de euros, numa conta no Dubai.

Ante a recusa do banco, os funcionários pediram que 250 milhões de dólares fossem, entretanto, enviados para uma conta no Banco Espírito Santo em Lisboa.

A investigação revela que o antigo líder da Agência Nacional para o Investimento Privado, Aguinaldo Jaime, mostrou, numa carta, “preocupação legítima” sobre a forma como o BESA lidava com o dinheiro para o projecto e criticou a tentativa do BESA de introduzir uma terceira parte no negócio, de forma “inapropriada”.

Também o presidente da Jeosat Angola, a empresa que iria construir as casas, afirmou ter apresentado queixa nas autoridades norte-americanas e europeias, porque “os líderes do BESA o tentaram convencer a criar uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas para receber o dinheiro pela construção do projecto”.

Rodrigues revelou ter confiado em Sobrinho quando lhe disse que era melhor usar estruturas financeiras em offshores, mas, citado pelo OCCRP, confirmou que “deixaram de comunicar com ele, tomaram conta do offshore, roubaram a sua identidade e usaram-na para criar outras companhias fantasma e contas bancárias, sugando os 750 milhões de euros da linha de crédito”.

O OCCRP diz que "Sobrinho negou ter roubado quaisquer fundos e diz que o financiamento para o projecto foi cancelado e que nenhum empréstimo foi desembolsado".

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